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Futebol

Do impossível ao impensável: Como o rebaixamento do Leicester para a 3ª Divisão destruiu um dos maiores legados do futebol moderno

O Leicester City transformou em tragédia um dos maiores contos de fadas da história do futebol. O clube confirmou o rebaixamento para a League One, exatos 10 anos após o título da Premier League.

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Técnico italiano Claudio Ranieri levanta com os jogadores do Leicester o troféu da Premier League 2015-2016, uma das trajetórias mais inacreditáveis do futebol moderno.

O Leicester City selou na terça-feira (21/04) um dos declínios mais drásticos da história recente do futebol europeu ao ser rebaixado para a League One, a terceira divisão da Inglaterra. Exatos 10 anos após chocar o mundo com o título da Premier League – considerada por muitos uma das maiores façanhas (e também maiores zebras) da história do esporte moderno -, os “Foxes” confirmaram a queda matemática após empatarem em 2 a 2 contra o Hull City no King Power Stadium.

O resultado deixou o clube na 23ª posição da Championship, sem chances de evitar o descenso a duas rodadas do fim. Mas a queda já era previsível: o clube que viveu um conto de fadas moderno e provou que o impossível não existia, sucumbiu a uma crise de identidade, financeira e técnica.

O milagre que paralisou o mundo

Em 2016, o Leicester liderou praticamente de ponta a ponta a Premier League, mas ainda assim as casas de apostas seguiam pagando 5.000 para 1 para quem acreditasse no título dos “Foxes”. Sob o comando de Claudio Ranieri, um elenco montado com “rejeitados” e jogadores de divisões inferiores derrubou o Big Six e conquistou a Inglaterra. Aquela campanha não foi apenas um título; foi uma lição de resiliência e união que mudou para sempre a narrativa da Premier League, transformando o King Power Stadium no epicentro do futebol mundial.

Jogadores e comissão técnica do Leicester erguem o troféu da Premier League em 2016

A tragédia que mudou o destino

O início do fim para muitos analistas remonta a outubro de 2018, com a trágica morte do multimilionário empresário tailandês Vichai Srivaddhanaprabha em um acidente de helicóptero nos arredores do estádio King Power. Vichai não era apenas o proprietário do Leicester, ele era a alma do projeto e o elo emocional entre cidade e clube. Após sua partida, o Leicester perdeu o norte administrativo.

Queda de helicóptero próxima ao Estádio King Power matou o dono do Leicester em 2018

Embora ainda tenha vencido a FA Cup em 2021 sob o comando de Brendan Rodgers, as decisões financeiras arriscadas de seu filho e herdeiro, Aiyawatt Srivaddhanaprabha, geraram um rombo que culminou em fevereiro com a perda de seis pontos por violação das regras fiscais, o que praticamente decretou o rebaixamento. Além disso, o balanço financeiro de 2023 revelou uma folha salarial superior a 200 milhões de Libras, quase R$ 1,5 bilhão, sem cláusulas de redução em caso de rebaixamento, o que asfixiou as contas do clube. Dono de um império mundial de lojas de Duty Free, Aiyawatt, mais conhecido como “Top”, empilhou prejuízos bilionários durante a Pandemia, e isso acabou se refletindo diretamente na gestão do clube.

Dança das cadeiras no banco de reservas

A instabilidade no comando técnico também acelerou a derrocada dos Foxes nos últimos anos. Desde a saída de Brendan Rodgers em 2023, o clube viu passar nomes como Dean Smith, Ruud van Nistelrooy e Marti Cifuentes, até chegar ao interino Gary Rowett. Com apenas uma vitória em 12 jogos sob a nova direção, a equipe não conseguiu reagir ao impacto da punição financeira e à perda de identidade em campo.

“Uma humilhação sem precedentes”

A imprensa mundial, especialmente a britânica, não poupou críticas após a consumação do rebaixamento. O jornal The Guardian descreveu o rebaixamento como “uma negligência administrativa criminosa”, enquanto a BBC Sport destacou que “o Leicester conseguiu o feito raro de ir do paraíso ao inferno em velocidade recorde”. Nos editoriais de Londres, a queda é vista como o exemplo máximo de como a má gestão pode destruir em poucos meses o que levou décadas para ser construído.

O futuro na League One

Agora, o Leicester City precisará juntar os cacos e se preparar para disputar a terceira divisão pela primeira vez desde a temporada 2008-2009. Com a receita drasticamente reduzida e um elenco inflado, o desafio será uma reconstrução total para não seguir o caminho de outros gigantes que se perderam nas divisões inferiores do futebol inglês. O presidente Aiyawatt pediu desculpas publicamente, assumindo a responsabilidade por decisões que transformaram em pesadelo o maior sonho já vivido por um clube no futebol moderno.

Por onde andam os heróis de 2016?

O abismo entre o passado e o presente fica evidente ao olharmos para os destinos das estrelas do título:

Jamie Vardy: Aos 39 anos, encerrou seu contrato na temporada passada e atua hoje na Cremonese da Itália. Em meio à crise, recusou a aposentadoria no Leicester.

Jamie Vardy em 2016

Riyad Mahrez: Após empilhar títulos no Manchester City, o argelino hoje desfruta dos petrodólares do futebol na Arábia Saudita e vai à Copa com a seleção da Argélia.

N’Golo Kanté: Um dos maiores volantes da história recente, também seguiu para o mercado saudita após uma passagem vitoriosa pelo Chelsea. Retomou protagonismo na seleção francesa e estará em mais uma Copa.

Kasper Schmeichel: O capitão e paredão daquela equipe passou por França e Bélgica, estando hoje perto da aposentadoria no Celtic, da Escócia.

Claudio Ranieri: Hoje com 74 anos, o técnico italiano mais conhecido como o “tinkerman” se aposentou do futebol profissional, deixando seu nome eternizado em uma estátua nos arredores do King Power Stadium.

Claudio Ranieri

BBB

Ana Paula, BBB 26 e a premiação que envergonhou o futebol argentino

Ana Paula ganhou R$ 5,7 milhões no BBB 26, o dobro da premiação do Estudiantes, campeão argentino. O contraste revela muito sobre o futebol sul-americano

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Dirigentes do Estudiantes de La Plata com o cheque de premiação do Campeonato Argentino
Foto: Fernando de la Orden

Ana Paula Renault venceu o BBB 26 na noite desta terça-feira (22) com 75,94% dos votos. Ela levou para casa o maior prêmio da história do reality: R$ 5.708.712,00, valor que, no campo esportivo, supera em dobro a premiação paga ao Estudiantes, campeão do Campeonato Argentino 2025/26. O contraste acendeu o debate nas redes: o que isso diz sobre o futebol sul-americano?

As premiações do futebol sul-americano em perspectiva

O Estudiantes de La Plata conquistou o Campeonato Argentino 2025/26, mas a festa foi regada a champagne mais barato do que o da casa do BBB. A premiação paga ao clube campeão pelo torneio é de aproximadamente R$ 2,85 milhões, praticamente metade do que Ana Paula levou por vencer um reality show.

O dado escancarou uma realidade conhecida, mas raramente tão bem ilustrada: o futebol sul-americano, fora do Brasil, ainda distribui premiações muito abaixo do que o mercado de entretenimento paga por audiência e engajamento.

LigaPremiação ao campeão (aprox.)
Campeonato ArgentinoUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
Campeonato ChilenoUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
Campeonato ColombianoUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
Campeonato UruguaioUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
Campeonato ParaguaioUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
BBB 26 — Ana PaulaR$ 5,7 milhões 

O futebol brasileiro no meio do caminho

Para contextualizar: o BBB 26 pagou mais do que qualquer premiação de torneio nacional na Argentina, mas ainda está longe dos valores do futebol europeu, onde a premiação só por participar da fase de liga da Champions League ultrapassa 18,62 milhões de euros, aproximadamente R$ 114,8 milhões.

No Brasil, o cenário já mudou bastante. Os clubes brasileiros investiram R$ 1,4 bilhão em contratações na última janela, e o salário mensal de jogadores como Memphis Depay no Corinthians chegou a R$ 2,9 milhões.

Mais do que uma curiosidade

O contraste entre o prêmio do BBB e a premiação do futebol argentino não é apenas um dado curioso para circular nas redes sociais. Ele é um retrato fiel das prioridades econômicas do entretenimento sul-americano: onde o dinheiro flui, o produto cresce. O BBB 26 atraiu patrocínio suficiente para dobrar seu prêmio histórico. O futebol argentino ainda tenta convencer seus campeões de que o título vale mais do que o cheque.

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Arbitragem

VAR no Brasil: tecnologia ou bagunça? Os casos que ficaram na história

Do gol anulado do Vasco à linha descalibrada do Inter: relembre as maiores polêmicas do VAR no futebol brasileiro.

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Árbitro de campo revendo lance no monitor do VAR no futebol brasileiro
Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

A promessa era simples: menos erros, mais justiça. Mas desde que o VAR chegou ao futebol brasileiro, em 2017, o que não faltou foram polêmicas, áudios divulgados de madrugada e árbitros afastados. O caso mais recente, o gol anulado do Vasco contra o Paysandu na Copa do Brasil 2026, é apenas mais um capítulo de uma história que o torcedor brasileiro já conhece bem demais.

O caso que reacendeu o debate

Na Copa do Brasil 2026, o Vasco avançou sobre o Paysandu com vitória por 2 a 0, mas o jogo ficou marcado por um gol anulado após revisão do VAR. O atacante Nuno Moreira balançou a rede depois de jogada de Brenner e a árbitra de vídeo Daiane Muniz flagrou uma falta na origem do lance.

O árbitro de campo Ramon Abatti Abel foi ao monitor e concordou. O áudio divulgado pela CBF foi direto: ” Ó lá, ó o puxão. Ok, ele puxa o zagueiro e derruba. Ok, vou voltar com a falta.” 

O técnico Renato Gaúcho discordou publicamente da decisão, mesmo que o Vasco tenha saído com a vitória.

Quando o VAR afastou árbitros

Em 2025, num clássico entre São Paulo e Palmeiras pelo Brasileirão, dois lances viraram caso nacional: um pênalti e um pedido de expulsão. A CBF chegou a liberar os áudios da cabine para tentar conter o incêndio, mas não adiantou.

Os árbitros envolvidos foram afastados logo após a partida e a punição confirmou o erro, mas chegou tarde demais para mudar o resultado. Inclusive, o mesmo Ramon Abatti Abel estava no centro da polêmica.

Foto: Montagem ESPN/Reprodução

O erro foi da câmera, não do árbitro

Em 2021, no Brasileirão, o Internacional marcou um gol de Rodrigo Dourado validado pelo VAR, mas a linha de impedimento usada na análise estava descalibrada. O erro não foi humano, foi técnico e a ferramenta que deveria garantir precisão funcionou com defeito.

O gol valeu, o caso ficou registrado como um dos maiores escândalos envolvendo falha tecnológica do VAR no Brasil e abriu um debate que dura até hoje sobre a confiabilidade do sistema.

Foto: Reprodução

A partida mais polêmica de 2019

No primeiro ano do VAR no Brasileirão, Botafogo x Palmeiras pela 6ª rodada do Brasileirão já entregou o tom do que estaria por vir. Deyverson foi derrubado na área, o árbitro nada marcou e o jogo foi reiniciado. Mesmo assim, o VAR recomendou a revisão e o árbitro Paulo Roberto Alves foi ao monitor para marcar a penalidade.

O Botafogo contestou no STJD, já que o jogo já tinha sido reiniciado, mas o time carioca não conseguiu anular a partida. O caso virou referência nos debates sobre os limites da intervenção do VAR no futebol brasileiro.

Divulgação: Palmeiras/Flickr

A ferramenta certa no ambiente errado?

O VAR funciona, mas em doses altas de polêmica, pressão e torcidas organizadas exigindo posicionamento nas redes sociais, ele vira combustível para a guerra de narrativas. O problema do VAR brasileiro talvez nunca tenha sido a câmera, mas sim o que acontece na frente dela.

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Copa do Brasil

Lingard e o símbolo de algo maior: o Brasil virou destino favorito dos craques que a Europa esqueceu

Lingard marca o 1º gol pelo Corinthians e confirma a tendência: o Brasil se tornou o destino favorito dos craques esquecidos pela Europa

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Jesse Lingard comemorando gol pelo Corinthians na Copa do Brasil 2026
Foto: Thiago Vasconcelos Dos Santos/AGIF

Jesse Lingard marcou seu primeiro gol com a camisa do Corinthians na noite desta terça-feira (21), na vitória por 1 a 0 sobre o Barra, na Ressacada, pela 5ª fase da Copa do Brasil. O chute de voleio do inglês entrou para a história: Lingard se tornou o primeiro jogador nascido na Inglaterra a marcar na Copa do Brasil e o primeiro a defender o Corinthians com passaporte inglês. Mas o gol vai além do feito individual, ele é mais um capítulo de uma tendência que vem transformando o futebol brasileiro: o Brasil virou a casa dos craques que a Europa resolveu esquecer.

O gol histórico

Aos 47 minutos do primeiro tempo, Matheus Pereira cobrou falta, a bola desviou na barreira e sobrou para Pedro Raul ajeitar de cabeça. Lingard completou de voleio, com frieza, e abriu o placar.

Com sete partidas pelo Timão até aqui, a espera pelo primeiro tento chegou ao fim.

O Brasil virou destino de craques renegados e com razão

Lingard não é caso isolado. O futebol brasileiro vive uma inversão histórica de rotas: se antes o fluxo era sempre de saída, do Brasil para a Europa, agora o caminho oposto se torna cada vez mais comum e respeitável.

O processo ganhou força a partir de 2023 com a chegada de nomes como Dimitri Payet (Vasco),  Andreas Samaris e Jesé Rodriguez (Coritiba). Nos anos seguintes, nomes como Memphis Depay (Corinthians) e Saúl Ñíguez (Flamengo) também desembarcaram no Brasil

Em 2023, apenas nove europeus disputaram a Série A. Em 2025, o número saltou para 14 e em 2026 subiu para 16 atletas nascidos no Velho Mundo.

Memphis gritando durante partida (Foto: Ettore Chiereguini/AGIF)

O dinheiro das bets mudou tudo

O fator financeiro explica boa parte da virada. Na última janela de transferências, os clubes brasileiros investiram 245 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão) em contratações, superando a Serie A italiana e a La Liga espanhola, ficando atrás apenas da Premier League.

Segundo o analista de mercado Rodrigo Paiva, em entrevista ao Lance!, a entrada das casas de apostas esportivas como patrocinadoras elevou o poder de fogo dos clubes brasileiros a um nível sem precedentes:

“O mercado brasileiro está fortalecido, com salários que competem com clubes médios da Itália, da Espanha e da França.”

Renegados ou redescobertos?

O rótulo de “renegado” cabe, mas não é o único. Por exemplo, Memphis chegou ao Corinthians e, apesar dos altos e baixos, ainda tem momentos de jogador de outro nível. Lingard, com 33 anos, acumula passagens por Manchester United, West Ham e a Seleção da Inglaterra, e assinou contrato com o Timão em março de 2026.

O Brasil não é mais o destino dos que já não servem. Está se tornando o destino dos que querem voltar a ser relevantes e, muitas vezes, conseguem. O gol de Lingard na Ressacada, validado após cinco minutos de VAR, pode ser pequeno para a Europa. Mas para a Copa do Brasil, foi histórico.

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