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Categorias de Base

Santos e o dilema do “celeiro de craques”

O Santos busca reinventar seu papel como formador de talentos em um cenário de saídas precoces, concorrência crescente e novos desafios para manter sua identidade histórica.

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Sub-13 do Santos
Foto: Divulgação/Santos FC

Tradição que atravessa gerações

Do legado de Pelé à explosão de Neymar, o Santos Futebol Clube consolidou uma identidade rara: a de formador de talentos de elite. Dados do CIES Football Observatory colocam o clube de forma recorrente entre os que mais revelam jogadores atuando nas principais ligas do mundo, reforçando um modelo que virou marca registrada.

Um mercado que mudou as regras

O cenário atual, porém, é mais agressivo. Relatórios da FIFA mostram que o Brasil segue como um dos maiores exportadores de atletas, com saída cada vez mais precoce de jovens. Isso encurta ciclos e dificulta a consolidação de jogadores no time principal antes de uma transferência internacional.

Impacto direto no modelo santista

Na prática, o Santos precisa lidar com menos tempo para desenvolver e aproveitar seus talentos. Casos como Rodrygo ilustram esse movimento: promessas que rapidamente ganham o mundo. O efeito colateral é uma pressão crescente por vendas rápidas, o que pode afetar tanto o desempenho esportivo quanto a criação de ídolos duradouros.

Foto: Flávio Florido/BP Filmes

Concorrência interna mais forte

Além da Europa, o clube enfrenta hoje uma disputa mais intensa dentro do próprio Brasil. Outras equipes passaram a investir pesado em categorias de base, oferecendo estrutura e salários competitivos. A vantagem histórica do Santos — antes baseada em tradição e oportunidade — já não é suficiente por si só.

O desafio de reinventar o “celeiro”

Mesmo assim, a vocação formadora segue sendo um ativo central. Estudos do CIES Football Observatory indicam que clubes com histórico sólido tendem a se manter relevantes se conseguirem se adaptar. Para o Santos, o desafio em 2026 é claro: equilibrar vendas, competitividade e identidade — e redefinir o que significa ser, hoje, um verdadeiro celeiro de craques.

Brasileirão

Vitor Roque no topo, Botafogo e Palmeiras dominando: o ranking internacional que mostra as principais joias do Brasileirão

CIES aponta os 20 jovens mais promissores do Brasileirão 2026; Palmeiras e Botafogo lideram com 4 cada

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Vitor Roque, do Palmeiras, contra o Botafogo no Brasileirão 2026
Foto: Cesar Greco/Palmeiras

O CIES Football Observatory divulgou o ranking dos 20 jovens sub-23 mais promissores do Brasileirão 2026. O estudo analisou o desempenho estatístico recente de atletas da principal liga do Brasil e elegeu o atacante Vitor Roque, do Palmeiras, como o maior talento jovem em atividade no futebol brasileiro. Palmeiras e Botafogo dominam a lista com quatro representantes cada.

Vitor Roque: o retorno que virou liderança

Aos 21 anos, Vitor Roque volta ao Brasil como protagonista. Após uma passagem discreta pelo Barcelona e um empréstimo ao Betis, o atacante retornou ao Palmeiras em 2025 e reencontrou o futebol que o revelou ao mundo. No Brasileirão 2026, é o jovem sub-23 com melhor desempenho estatístico entre todos os campeonatos analisados pelo CIES, um recado direto aos europeus que duvidaram do seu potencial.

Logo atrás aparecem Robert Renan (22 anos), zagueiro do Vasco, e Allan (22 anos), meia do Palmeiras, que com Agustín Giay e Jefté totalizam quatro Palmeirenses no Top 20.

Botafogo: a fábrica silenciosa

Se o Palmeiras domina pelo peso dos nomes, o Botafogo impressiona pela quantidade e pela diversidade. Álvaro Montoro (19 anos), Matheus Martins (22 anos), Jordan Barrera (20 anos) e Mateo Ponte (22 anos) representam o Glorioso na lista. A curiosidade é que nenhum deles chegou pela base do clube.

O modelo do Botafogo pós-SAF é diferente: identificar jovens subvalorizados no mercado sul-americano e internacional e transformá-los em jogadores valorizados. Montoro, aos 19 anos, é o mais jovem do ranking inteiro.

Montoro, do Botafogo, pela Copa do Brasil no Estadio Nilton Santos. Foto: Vitor Silva/Botafogo.

O ranking completo

Pos.JogadorIdadePosiçãoClube
Vitor Roque21AtacantePalmeiras 
Robert Renan22ZagueiroVasco 
Allan22MeiaPalmeiras 
Álvaro Montoro19MeiaBotafogo 
Breno Bidon21MeiaCorinthians 
Viery Fernandes21ZagueiroGrêmio 
Agustín Giay22Lat. direitoPalmeiras 
Victor Gabriel21ZagueiroInternacional 
Román Gómez21Lat. direitoBahia 
10ºMatheus Martins22AtacanteBotafogo 
11ºMaik Gomes21Lat. direitoSão Paulo 
12ºLucas Ronier21AtacanteCoritiba 
13ºVictor Hugo21MeiaAtlético-MG 
14ºJefté22Lat. esquerdoPalmeiras 
15ºIgnacio Sosa22MeiaRB Bragantino 
16ºJordan Barrera20AtacanteBotafogo 
17ºJoão Pedro22ZagueiroCorinthians 
18ºKeny Arroyo20AtacanteCruzeiro 
19ºMateo Ponte22Lat. direitoBotafogo 
20ºWallace Yan21AtacanteFlamengo 

O que o ranking revela sobre o futebol brasileiro

Dez clubes diferentes aparecem na lista — um sinal de que a distribuição de talentos jovens no Brasil está mais equilibrada do que o senso comum sugere. Além disso, o estudo confirma uma tendência clara: a lateral direita é a posição com mais jovens promissores no campeonato, com Giay, Gómez, Maik Gomes e Mateo Ponte todos figurando no ranking.

Outro dado relevante: dos 20 nomes, sete são estrangeiros, reforçando que o Brasileirão virou um destino de escolha para jovens sul-americanos que querem se projetar globalmente.

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