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Das derrotas à permanência: por que Rogério Ceni no Bahia é um fenômeno raro no futebol brasileiro moderno

Ceni fica no Bahia apesar da pressão e é o 2º técnico mais longevo da Série A. Entenda por que alguns treinadores são intocáveis no futebol brasileiro

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Rogério Ceni, técnico do Bahia, em coletiva pós jogo
Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia

A derrota por 3 a 1 para o Remo, em casa, no jogo de ida da 5ª fase da Copa do Brasil, gerou pressão da torcida e dúvidas externas, mas não abalou a posição de Rogério Ceni no Bahia. O clube confirmou a permanência do treinador, que segue no cargo com contrato até dezembro de 2027. Em um campeonato que já demitiu 10 técnicos nas primeiras 10 rodadas, Ceni é uma das raras exceções e o motivo vai além do resultado de uma partida.

O projeto que protege Ceni

Desde que chegou ao Bahia em setembro de 2023, Rogério Ceni construiu um histórico difícil de ignorar: são mais de 150 jogos no comando, com aproveitamento em torno de 59%, além de dois títulos do Campeonato Baiano consecutivos e a classificação do clube para duas Libertadores.

O Grupo City, dono do clube, opera com uma filosofia de gestão de longo prazo e Ceni é parte central desse projeto. Mesmo reconhecendo que como treinador não dispõe do mesmo tempo que os investidores, o próprio técnico já declarou que busca “acelerar os processos” dentro dessa visão.

O ranking dos mais longevos no Brasil

No cenário atual do futebol brasileiro, a longevidade virou exceção. Com 10 técnicos demitidos nas primeiras 10 rodadas do Brasileirão 2026, quem sobrevive por mais de um ano no cargo já é notícia. Ceni é o 2º técnico mais longevo da Série A, atrás apenas de Abel Ferreira, no Palmeiras desde outubro de 2020.

TécnicoClubeNo cargo desde
Abel FerreiraPalmeirasOutubro de 2020 
Rogério CeniBahiaSetembro de 2023 
Rafael GuanaesMirassolMarço de 2025
Odair HellmannAthleticoMaio de 2025

Abel: o modelo que ninguém consegue replicar

Se Ceni é o segundo mais longevo, Abel Ferreira é o fenômeno isolado. O português está no Palmeiras há mais de cinco anos, uma eternidade no futebol brasileiro, e acumula mais de 10 títulos no cargo. Em um país onde a média de permanência de um técnico na Série A é de menos de seis meses, Abel virou referência mundial de gestão de carreira.

O próprio caso de Abel mudou a mentalidade de alguns clubes. O Verdão provou que estabilidade gera títulos e o Bahia, com o Grupo City, parece ter absorvido essa lição ao blindar Ceni mesmo em momentos de pressão.

O técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, durante partida da Conmebol Libertadores (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Na história, o caso mais extremo

Na lista histórica dos técnicos mais longevos em um único clube brasileiro, o recorde absoluto pertence a Amadeu Teixeira, do América-AM: 53 anos no comando do mesmo clube, de 1955 a 2008. No Santos, Lula comandou o time em 945 jogos entre 1954 e 1966. Números de outra época e de outro futebol.

Hoje, o futebol brasileiro funciona em outra velocidade. Por isso, quando um técnico como Ceni resiste a uma derrota por 3 a 1 em casa e segue no cargo, isso já diz mais sobre o clube do que sobre o treinador.

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Do CT do Caju para o mundo: Athletico revela mais uma joia e sua fábrica de craques envergonha Liverpool e Juventus

Athletico-PR está entre as 100 melhores bases do mundo e repete o modelo que revelou Fernandinho

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Jogador da base do Athletico-PR comemorando gol
Foto: João Heim/Zimel Press/Gazeta Press

O Athletico-PR é oficialmente uma das 100 melhores categorias de base do mundo. O Furacão ocupa a 58ª posição no ranking do Observatório Internacional de Estudos Futebolísticos (CIES Football), que avalia o número de jogadores revelados, o nível dos clubes onde atuaram e os minutos jogados em 49 ligas ao redor do globo. Com essa posição, o clube paranaense está na frente de gigantes europeus como Atlético de Madrid, Liverpool e Juventus. E a venda de Bruninho, de 17 anos, ao Shakhtar Donetsk por 15 milhões de euros, é a prova mais recente de que o modelo do CT do Caju segue funcionando.

O ranking que colocou o Furacão no mapa global

O relatório do CIES analisou escolas de formação de 49 ligas ao longo de uma temporada completa e listou os 100 melhores clubes formadores do planeta. O Athletico foi o único clube do sul do Brasil a figurar na lista, ocupando a 10ª colocação entre os brasileiros, atrás de São Paulo, Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos, Grêmio, Cruzeiro, Internacional e Fluminense.

O estudo aponta 35 jogadores revelados no CT do Caju que atuaram nas ligas avaliadas, acumulando 2.914 minutos, um dado que coloca o Furacão como um dos maiores exportadores de minutos de jogadores formados no país.

PosiçãoClubePaís
BenficaPortugal
BarcelonaEspanha
River PlateArgentina
AjaxHolanda
Boca JuniorsArgentina
Real MadridEspanha
58ºAthletico-PRBrasil

O modelo que nunca muda: revelar, valorizar e vender

A estratégia do Athletico não é nova. Desde a gestão de Mário Celso Petraglia, a partir de 1995, o clube investiu primeiro em estrutura física, com um CT considerado entre os melhores do Brasil, e depois em metodologia de base, criando um ciclo de revelação e exportação de talentos.

O “modelo Fernandinho” virou símbolo desse ciclo: revelar um talento, colocá-lo no profissional ainda jovem e vendê-lo ao exterior antes que grandes clubes do Brasil o assediem. Fernandinho saiu para o Shakhtar Donetsk por R$ 22,6 milhões na época. Décadas depois, Bruninho repete o mesmo caminho, o mesmo destino e o mesmo comprador, por 14 milhões de euros (R$ 82,26 milhões), sendo 11 milhões de euros fixos + 3 milhões de euros em bônus.

Bruninho: a joia que resumiu tudo

O atacante de 17 anos fez 23 gols em 37 jogos pelo Sub-17 em 2025 e foi integrado diretamente ao elenco profissional ao longo do Campeonato Paranaense 2026, estreando com gol. Antes de completar cinco meses como profissional, já está embarcando para a Europa.

O Furacão manteve 20% dos direitos econômicos na negociação, proteção financeira para uma futura valorização, exatamente como fez em vendas anteriores.

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