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Copa do Brasil

Lingard e o símbolo de algo maior: o Brasil virou destino favorito dos craques que a Europa esqueceu

Lingard marca o 1º gol pelo Corinthians e confirma a tendência: o Brasil se tornou o destino favorito dos craques esquecidos pela Europa

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Jesse Lingard comemorando gol pelo Corinthians na Copa do Brasil 2026
Foto: Thiago Vasconcelos Dos Santos/AGIF

Jesse Lingard marcou seu primeiro gol com a camisa do Corinthians na noite desta terça-feira (21), na vitória por 1 a 0 sobre o Barra, na Ressacada, pela 5ª fase da Copa do Brasil. O chute de voleio do inglês entrou para a história: Lingard se tornou o primeiro jogador nascido na Inglaterra a marcar na Copa do Brasil e o primeiro a defender o Corinthians com passaporte inglês. Mas o gol vai além do feito individual, ele é mais um capítulo de uma tendência que vem transformando o futebol brasileiro: o Brasil virou a casa dos craques que a Europa resolveu esquecer.

O gol histórico

Aos 47 minutos do primeiro tempo, Matheus Pereira cobrou falta, a bola desviou na barreira e sobrou para Pedro Raul ajeitar de cabeça. Lingard completou de voleio, com frieza, e abriu o placar.

Com sete partidas pelo Timão até aqui, a espera pelo primeiro tento chegou ao fim.

O Brasil virou destino de craques renegados e com razão

Lingard não é caso isolado. O futebol brasileiro vive uma inversão histórica de rotas: se antes o fluxo era sempre de saída, do Brasil para a Europa, agora o caminho oposto se torna cada vez mais comum e respeitável.

O processo ganhou força a partir de 2023 com a chegada de nomes como Dimitri Payet (Vasco),  Andreas Samaris e Jesé Rodriguez (Coritiba). Nos anos seguintes, nomes como Memphis Depay (Corinthians) e Saúl Ñíguez (Flamengo) também desembarcaram no Brasil

Em 2023, apenas nove europeus disputaram a Série A. Em 2025, o número saltou para 14 e em 2026 subiu para 16 atletas nascidos no Velho Mundo.

Memphis gritando durante partida (Foto: Ettore Chiereguini/AGIF)

O dinheiro das bets mudou tudo

O fator financeiro explica boa parte da virada. Na última janela de transferências, os clubes brasileiros investiram 245 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão) em contratações, superando a Serie A italiana e a La Liga espanhola, ficando atrás apenas da Premier League.

Segundo o analista de mercado Rodrigo Paiva, em entrevista ao Lance!, a entrada das casas de apostas esportivas como patrocinadoras elevou o poder de fogo dos clubes brasileiros a um nível sem precedentes:

“O mercado brasileiro está fortalecido, com salários que competem com clubes médios da Itália, da Espanha e da França.”

Renegados ou redescobertos?

O rótulo de “renegado” cabe, mas não é o único. Por exemplo, Memphis chegou ao Corinthians e, apesar dos altos e baixos, ainda tem momentos de jogador de outro nível. Lingard, com 33 anos, acumula passagens por Manchester United, West Ham e a Seleção da Inglaterra, e assinou contrato com o Timão em março de 2026.

O Brasil não é mais o destino dos que já não servem. Está se tornando o destino dos que querem voltar a ser relevantes e, muitas vezes, conseguem. O gol de Lingard na Ressacada, validado após cinco minutos de VAR, pode ser pequeno para a Europa. Mas para a Copa do Brasil, foi histórico.

Brasileirão

Vitor Roque no topo, Botafogo e Palmeiras dominando: o ranking internacional que mostra as principais joias do Brasileirão

CIES aponta os 20 jovens mais promissores do Brasileirão 2026; Palmeiras e Botafogo lideram com 4 cada

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Vitor Roque, do Palmeiras, contra o Botafogo no Brasileirão 2026
Foto: Cesar Greco/Palmeiras

O CIES Football Observatory divulgou o ranking dos 20 jovens sub-23 mais promissores do Brasileirão 2026. O estudo analisou o desempenho estatístico recente de atletas da principal liga do Brasil e elegeu o atacante Vitor Roque, do Palmeiras, como o maior talento jovem em atividade no futebol brasileiro. Palmeiras e Botafogo dominam a lista com quatro representantes cada.

Vitor Roque: o retorno que virou liderança

Aos 21 anos, Vitor Roque volta ao Brasil como protagonista. Após uma passagem discreta pelo Barcelona e um empréstimo ao Betis, o atacante retornou ao Palmeiras em 2025 e reencontrou o futebol que o revelou ao mundo. No Brasileirão 2026, é o jovem sub-23 com melhor desempenho estatístico entre todos os campeonatos analisados pelo CIES, um recado direto aos europeus que duvidaram do seu potencial.

Logo atrás aparecem Robert Renan (22 anos), zagueiro do Vasco, e Allan (22 anos), meia do Palmeiras, que com Agustín Giay e Jefté totalizam quatro Palmeirenses no Top 20.

Botafogo: a fábrica silenciosa

Se o Palmeiras domina pelo peso dos nomes, o Botafogo impressiona pela quantidade e pela diversidade. Álvaro Montoro (19 anos), Matheus Martins (22 anos), Jordan Barrera (20 anos) e Mateo Ponte (22 anos) representam o Glorioso na lista. A curiosidade é que nenhum deles chegou pela base do clube.

O modelo do Botafogo pós-SAF é diferente: identificar jovens subvalorizados no mercado sul-americano e internacional e transformá-los em jogadores valorizados. Montoro, aos 19 anos, é o mais jovem do ranking inteiro.

Montoro, do Botafogo, pela Copa do Brasil no Estadio Nilton Santos. Foto: Vitor Silva/Botafogo.

O ranking completo

Pos.JogadorIdadePosiçãoClube
Vitor Roque21AtacantePalmeiras 
Robert Renan22ZagueiroVasco 
Allan22MeiaPalmeiras 
Álvaro Montoro19MeiaBotafogo 
Breno Bidon21MeiaCorinthians 
Viery Fernandes21ZagueiroGrêmio 
Agustín Giay22Lat. direitoPalmeiras 
Victor Gabriel21ZagueiroInternacional 
Román Gómez21Lat. direitoBahia 
10ºMatheus Martins22AtacanteBotafogo 
11ºMaik Gomes21Lat. direitoSão Paulo 
12ºLucas Ronier21AtacanteCoritiba 
13ºVictor Hugo21MeiaAtlético-MG 
14ºJefté22Lat. esquerdoPalmeiras 
15ºIgnacio Sosa22MeiaRB Bragantino 
16ºJordan Barrera20AtacanteBotafogo 
17ºJoão Pedro22ZagueiroCorinthians 
18ºKeny Arroyo20AtacanteCruzeiro 
19ºMateo Ponte22Lat. direitoBotafogo 
20ºWallace Yan21AtacanteFlamengo 

O que o ranking revela sobre o futebol brasileiro

Dez clubes diferentes aparecem na lista — um sinal de que a distribuição de talentos jovens no Brasil está mais equilibrada do que o senso comum sugere. Além disso, o estudo confirma uma tendência clara: a lateral direita é a posição com mais jovens promissores no campeonato, com Giay, Gómez, Maik Gomes e Mateo Ponte todos figurando no ranking.

Outro dado relevante: dos 20 nomes, sete são estrangeiros, reforçando que o Brasileirão virou um destino de escolha para jovens sul-americanos que querem se projetar globalmente.

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Bahia

Das derrotas à permanência: por que Rogério Ceni no Bahia é um fenômeno raro no futebol brasileiro moderno

Ceni fica no Bahia apesar da pressão e é o 2º técnico mais longevo da Série A. Entenda por que alguns treinadores são intocáveis no futebol brasileiro

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Rogério Ceni, técnico do Bahia, em coletiva pós jogo
Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia

A derrota por 3 a 1 para o Remo, em casa, no jogo de ida da 5ª fase da Copa do Brasil, gerou pressão da torcida e dúvidas externas, mas não abalou a posição de Rogério Ceni no Bahia. O clube confirmou a permanência do treinador, que segue no cargo com contrato até dezembro de 2027. Em um campeonato que já demitiu 10 técnicos nas primeiras 10 rodadas, Ceni é uma das raras exceções e o motivo vai além do resultado de uma partida.

O projeto que protege Ceni

Desde que chegou ao Bahia em setembro de 2023, Rogério Ceni construiu um histórico difícil de ignorar: são mais de 150 jogos no comando, com aproveitamento em torno de 59%, além de dois títulos do Campeonato Baiano consecutivos e a classificação do clube para duas Libertadores.

O Grupo City, dono do clube, opera com uma filosofia de gestão de longo prazo e Ceni é parte central desse projeto. Mesmo reconhecendo que como treinador não dispõe do mesmo tempo que os investidores, o próprio técnico já declarou que busca “acelerar os processos” dentro dessa visão.

O ranking dos mais longevos no Brasil

No cenário atual do futebol brasileiro, a longevidade virou exceção. Com 10 técnicos demitidos nas primeiras 10 rodadas do Brasileirão 2026, quem sobrevive por mais de um ano no cargo já é notícia. Ceni é o 2º técnico mais longevo da Série A, atrás apenas de Abel Ferreira, no Palmeiras desde outubro de 2020.

TécnicoClubeNo cargo desde
Abel FerreiraPalmeirasOutubro de 2020 
Rogério CeniBahiaSetembro de 2023 
Rafael GuanaesMirassolMarço de 2025
Odair HellmannAthleticoMaio de 2025

Abel: o modelo que ninguém consegue replicar

Se Ceni é o segundo mais longevo, Abel Ferreira é o fenômeno isolado. O português está no Palmeiras há mais de cinco anos, uma eternidade no futebol brasileiro, e acumula mais de 10 títulos no cargo. Em um país onde a média de permanência de um técnico na Série A é de menos de seis meses, Abel virou referência mundial de gestão de carreira.

O próprio caso de Abel mudou a mentalidade de alguns clubes. O Verdão provou que estabilidade gera títulos e o Bahia, com o Grupo City, parece ter absorvido essa lição ao blindar Ceni mesmo em momentos de pressão.

O técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, durante partida da Conmebol Libertadores (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Na história, o caso mais extremo

Na lista histórica dos técnicos mais longevos em um único clube brasileiro, o recorde absoluto pertence a Amadeu Teixeira, do América-AM: 53 anos no comando do mesmo clube, de 1955 a 2008. No Santos, Lula comandou o time em 945 jogos entre 1954 e 1966. Números de outra época e de outro futebol.

Hoje, o futebol brasileiro funciona em outra velocidade. Por isso, quando um técnico como Ceni resiste a uma derrota por 3 a 1 em casa e segue no cargo, isso já diz mais sobre o clube do que sobre o treinador.

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Arbitragem

VAR no Brasil: tecnologia ou bagunça? Os casos que ficaram na história

Do gol anulado do Vasco à linha descalibrada do Inter: relembre as maiores polêmicas do VAR no futebol brasileiro.

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Árbitro de campo revendo lance no monitor do VAR no futebol brasileiro
Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

A promessa era simples: menos erros, mais justiça. Mas desde que o VAR chegou ao futebol brasileiro, em 2017, o que não faltou foram polêmicas, áudios divulgados de madrugada e árbitros afastados. O caso mais recente, o gol anulado do Vasco contra o Paysandu na Copa do Brasil 2026, é apenas mais um capítulo de uma história que o torcedor brasileiro já conhece bem demais.

O caso que reacendeu o debate

Na Copa do Brasil 2026, o Vasco avançou sobre o Paysandu com vitória por 2 a 0, mas o jogo ficou marcado por um gol anulado após revisão do VAR. O atacante Nuno Moreira balançou a rede depois de jogada de Brenner e a árbitra de vídeo Daiane Muniz flagrou uma falta na origem do lance.

O árbitro de campo Ramon Abatti Abel foi ao monitor e concordou. O áudio divulgado pela CBF foi direto: ” Ó lá, ó o puxão. Ok, ele puxa o zagueiro e derruba. Ok, vou voltar com a falta.” 

O técnico Renato Gaúcho discordou publicamente da decisão, mesmo que o Vasco tenha saído com a vitória.

Quando o VAR afastou árbitros

Em 2025, num clássico entre São Paulo e Palmeiras pelo Brasileirão, dois lances viraram caso nacional: um pênalti e um pedido de expulsão. A CBF chegou a liberar os áudios da cabine para tentar conter o incêndio, mas não adiantou.

Os árbitros envolvidos foram afastados logo após a partida e a punição confirmou o erro, mas chegou tarde demais para mudar o resultado. Inclusive, o mesmo Ramon Abatti Abel estava no centro da polêmica.

Foto: Montagem ESPN/Reprodução

O erro foi da câmera, não do árbitro

Em 2021, no Brasileirão, o Internacional marcou um gol de Rodrigo Dourado validado pelo VAR, mas a linha de impedimento usada na análise estava descalibrada. O erro não foi humano, foi técnico e a ferramenta que deveria garantir precisão funcionou com defeito.

O gol valeu, o caso ficou registrado como um dos maiores escândalos envolvendo falha tecnológica do VAR no Brasil e abriu um debate que dura até hoje sobre a confiabilidade do sistema.

Foto: Reprodução

A partida mais polêmica de 2019

No primeiro ano do VAR no Brasileirão, Botafogo x Palmeiras pela 6ª rodada do Brasileirão já entregou o tom do que estaria por vir. Deyverson foi derrubado na área, o árbitro nada marcou e o jogo foi reiniciado. Mesmo assim, o VAR recomendou a revisão e o árbitro Paulo Roberto Alves foi ao monitor para marcar a penalidade.

O Botafogo contestou no STJD, já que o jogo já tinha sido reiniciado, mas o time carioca não conseguiu anular a partida. O caso virou referência nos debates sobre os limites da intervenção do VAR no futebol brasileiro.

Divulgação: Palmeiras/Flickr

A ferramenta certa no ambiente errado?

O VAR funciona, mas em doses altas de polêmica, pressão e torcidas organizadas exigindo posicionamento nas redes sociais, ele vira combustível para a guerra de narrativas. O problema do VAR brasileiro talvez nunca tenha sido a câmera, mas sim o que acontece na frente dela.

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