O Palmeiras entrou para um seleto grupo na história da Copa Libertadores. Na noite desta quinta-feira (16), com gol do zagueiro Murilo no Allianz Parque, o Verdão atingiu a marca de 500 gols na competição durante a vitória por 2 a 1 sobre o Sporting Cristal, pela 2ª rodada da fase de grupos de 2026. O Palmeiras se torna o único clube brasileiro a alcançar esse número e apenas o 4º da história, ao lado de River Plate, Nacional e Peñarol.
O gol histórico
Aos 26 minutos do primeiro tempo, Murilo aproveitou um cruzamento do atacante Allan e cabeceou para o fundo da rede. Sem saber na hora, o zagueiro tinha acabado de escrever seu nome na história do clube.
Mais tarde, Flaco López ainda converteu um pênalti e ampliou para 501, abrindo nova contagem na jornada.
Flaco López, do Palmeiras, comemora seu gol contra o Sporting Cristal. Foto: Cesar Greco/Palmeiras
Um clube de apenas 4 sócios
Os outros três integrantes desse clube exclusivo são: River Plate, que lidera com 682 gols, seguido por Nacional (602) e Peñarol (592). O Palmeiras aparece em 4º com 501.
O mais impressionante: no ranking entre os brasileiros, o Palmeiras está sozinho no topo com uma vantagem abissal. O segundo colocado é o Flamengo, com apenas 360 gols, seguido de São Paulo (331), Grêmio (328) e Cruzeiro (309).
Posição
Clube
Gols
1º
River Plate (ARG)
682
2º
Nacional (URU)
602
3º
Peñarol (URU)
592
4º
Palmeiras (BRA)
501
5º
Boca Juniors (ARG)
498
6º
Olimpia (PAR)
495
A campanha no Grupo F
Com a vitória, o Palmeiras assumiu a liderança do Grupo F com 4 pontos, à frente do próprio Sporting Cristal, com 3. Abel Ferreira pode demorar, pode sofrer, como aconteceu na noite de quinta, mas o resultado vem. São 501 razões para acreditar nisso.
Expectativa x realidade: veja quem brilhou no (quase esquecido) Mundial Sub-17 no Brasil em 2019 e vai à Copa em 2026
Do Vestibular em 2019 para a Formatura em 2026. Pouca gente lembra, mas o Brasil sediou às pressas a Copa do Mundo Sub-17 em 2019, e apesar de pouco badalada, ela revelou muitas das estrelas que vão brilhar na Copa do Mundo 2026.
A Copa do Mundo Sub-17 da FIFA, disputada às pressas no Brasil em 2019, serviu como o grande vestibular para uma geração de jogadores que, sete anos depois, está pronta para comandar suas seleções na Copa do Mundo de 2026, em gramados dos Estados Unidos, México e Canadá.
Passados sete anos daquela final emocionante no acanhado Estádio Bezerrão, no Gama (DF), quando o Brasil foi campeão batendo o México de virada, muitos dos atletas que atuaram em solo brasileiro naquele ano estiveram em amistosos recentes das suas seleções na última Data FIFA, e provavelmente estarão presentes nas listas oficiais do Mundial deste ano.
O cruzamento de dados mostra que aquela Copa do Mundo Sub-17 em 2019 foi um divisor de águas técnico. Enquanto as potências europeias como Espanha e França (favoritas em 2026, e que se enfrentaram nas quartas de final em 2019, com a França goleando por 6×1 em Goiânia) utilizaram o torneio como filtro de qualidade, nações como Haiti, Austrália e Coreia do Sul usaram como projeto de nação esportiva, e colhem os frutos agora.
Já o Brasil, um campeão acidental que nem deveria ter disputado o torneio (veja mais abaixo), viu praticamente toda uma geração promissora ficar pelo caminho, o que de certa forma diz muito sobre o atual estágio do futebol brasileiro, mas também prova que o talento precoce precisa de ambiente e gestão de carreira para sobreviver a longos sete anos de transição até o topo do mundo.
As estrelas que confirmaram o favoritismo
Alguns nomes já davam sinais de que o Sub-17 era “pequeno” para o futebol que apresentavam. O espanhol Pedri é o exemplo máximo dessa transição meteórica, saindo do gramado da Serrinha em Goiânia direto para o protagonismo no Barcelona e na Fúria.
Pedri é destaque da Espanha
A elite africana e sul-americana
A seleção de Senegal também colheu frutos valiosos daquela edição com a consolidação de Pape Matar Sarr, hoje volante de elite na Premier League. Já o Equador transformou a liderança do zagueiro Piero Hincapié em realidade, tornando-o um dos defensores mais valorizados do futebol europeu em 2026, hoje atuando como lateral-esquerdo. A Argentina, por sua vez, vê em Matias Soulé o herdeiro técnico de uma geração que começou a ganhar corpo nos gramados brasileiros.
O curioso caso do artilheiro holandês
Mas entre os personagens daquele Mundial, chama a atenção a trajetória do artilheiro holandês Sontje Hansen. Chuteira de Ouro do torneio com 6 gols e um dos destaques da campanha de semifinal da Holanda, ele chegou a ser sondado pelo Manchester City de Guardiola, mas seguiu no Ajax, onde não conseguiu se firmar no elenco profissional. Passou pelo NEC Nijmegen, também da Holanda, antes de chegar ao Middlesbrough, que disputa a Champioship inglesa. Quando parecia que ver a Copa de 2026 pela TV era uma certeza, veio a ligação de outro holandês, o técnico Dick Advocaat, para que Sontje Hansen atuasse pela seleção de Curaçao, país de origem de seus pais. Estreou em outubro de 2025, e apenas cinco dias depois sua naturalização foi aprovada pela FIFA. De praticamente descartado, o artilheiro de 2019 passou a ser nome praticamente garantido na Copa de 2026.
O lado amargo: os que ficaram pelo caminho
Como sempre, nem todo brilho de 2019 se traduziu em sucesso profissional de alto nível para este ciclo de 2026. Gabriel Veron, por exemplo, eleito o melhor jogador daquela Copa, conviveu com lesões e oscilações, ficando a anos-luz de distância dos planos da Seleção Brasileira principal. Outros nomes, como o artilheiro Lázaro e o capitão brasileiro Henri, não atingiram o teto esperado e hoje vão assistir ao Mundial pela TV, enquanto buscam retomar o espaço em clubes de menor expressão.
Meia Gabriel Veron foi o melhor jogador do Mundial Sub-17. Foto: Alexandre Loureiro/ CBF
📉 Promessas que “Estagnaram” ou não vingaram
Como em todo torneio de base, alguns nomes que pareciam destinados ao topo acabaram enfrentando dificuldades na transição para o profissional:
JOGADOR
STATUS EM 2019
COMO ESTÁ EM 2026?
João Peglow
Camisa 10 e titular do Brasil
Após rodar por Porto B, Sport e Polônia, rescindiu com o Inter e está no DC United da MLS
Gabriel Veron
Melhor jogador do mundo Sub-17. Maior joia da base do Palmeiras na época
Foi vendido ao Porto, mas sofreu com lesões e questões disciplinares. Passou sem sucesso por Cruzeiro, Santos e Juventude, e está no Nacional da Madeira, em Portugal.
Sontje Hansen
Artilheiro do Mundial com a semifinalista Holanda
Não conseguiu se firmar no time principal do Ajax. Atualmente joga no Middlesbrough, mas deve ir à Copa com a seleção de Curaçao.
Daniel Cabral
Volante titular do Brasil (Flamengo).
Sofreu com lesões graves no joelho. Em 2024, transferiu-se para o Estrela Amadora, de Portugal.
Matías Palacios
A grande joia da Argentina naquele Mundial.
Vendido cedo ao Basel (Suíça), não explodiu. Atualmente joga no Al-Ain, nos Emirados Árabes.
Henri
Capitão do Brasil e zagueiro promissor.
Não teve chances no profissional do Palmeiras. Atualmente joga no North Texas SC (time B do FC Dallas, nos EUA).
Lázaro
Herói do título brasileiro em 2019
Não se firmou no Flamengo, foi vendido ao espanhol Almeria e chegou a ser emprestado ao Palmeiras, onde também pouco jogou. Atualmente está no Al-Najma da Arábia Saudita.
O fenômeno do Haiti e a base de 2019
A seleção do Haiti é o caso mais emblemático de planejamento e continuidade entre as seleções periféricas. Se despediu daquele Mundial com três derrotas e a lanterna do grupo em Goiânia, mas atletas como Dany Jean e Carl Fred Sainté, que sentiram o peso de um Mundial pela primeira vez em 2019, formam hoje a espinha dorsal da equipe na Copa 2026. O amadurecimento desses jogadores foi o pilar necessário para que a nação caribenha alcançasse a classificação histórica para o torneio atual, encerrando um jejum de 52 anos.
Você lembra da Copa do Mundo Sub-17 no Brasil?
Se não lembra, a gente te entende. Mas vamos ajudar a refrescar a memória:
A Copa do Mundo FIFA Sub-17 de 2019 foi a 18ª edição da competição e foi disputada no Brasil entre os dias 26 de outubro a 17 de novembro.
O evento deveria ter ocorrido no Peru entre 5 e 27 de outubro. No entanto, em fevereiro de 2019 a Federação Peruana anunciou a desistência por não conseguir cumprir com todos os requisitos exigidos pela FIFA. Sendo assim, o Conselho da FIFA anunciou em 15 de março o Brasil como substituto, marcando a primeira vez que o país recebeu uma edição da categoria.
Curiosidade: o Brasil só participou daquele Mundial porque virou o país-sede. A seleção havia sido eliminada precocemente no Sul-Americano Sub-17 meses antes com uma campanha pífia, mas com a mudança da sede às pressas, a vaga caiu no colo da equipe, que mudou de treinador (Guilherme Dalla Déa assumiu) e acabou sendo campeã invicta, vencendo todos os 7 jogos.
A Inglaterra era a atual campeã da categoria, mas não se classificou para defender o título. Na fase decisiva, o Brasil derrotou a Itália nas quartas por 2×0, a França por 3×2 na semifinal e o México na final de virada por 2×1 ((gols de Kaio Jorge e Lázaro) e conquistou o título pela quarta vez, o primeiro desde 2003.
🏟️ Sedes e Organização
Diferente da Copa de 2014, o Mundial Sub-17 focou em estádios menores e mais próximos, facilitando a logística:
Gama (DF): Estádio Bezerrão (onde ocorreu a final e a abertura).
Goiânia (GO): Estádio Olímpico e Estádio da Serrinha.
Cariacica (ES): Estádio Kléber Andrade.
⭐ Os Destaques e Premiações Individuais
Bola de Ouro (Melhor Jogador): Gabriel Veron (Brasil). Na época, era a maior joia do Palmeiras.
Chuteira de Ouro (Artilheiro): Sontje Hansen (Holanda), com 6 gols.
Luva de Ouro (Melhor Goleiro): Matheus Donelli (Brasil), do Corinthians.
🚀 Promessas que se Confirmaram no Profissional
Muitos nomes que hoje brilham na Europa e em seleções principais estavam naquele torneio:
🇪🇸 Pedri (Espanha): Talvez o maior sucesso comercial e técnico. Saiu do Las Palmas para o Barcelona e se tornou um dos pilares da Seleção Espanhola principal.
🇸🇳 Pape Matar Sarr (Senegal): Hoje é peça fundamental no meio-campo do Tottenham, da Inglaterra, e da seleção atual campeã africana de nações.
🇺🇸 Giovanni Reyna (EUA): Consolidou-se no Borussia Dortmund e atualmente está no Borussia Mönchengladbach. É uma das estrelas da geração norte-americana que chega cheia de expectativas para o Mundial em casa.
🇪🇨 Piero Hincapié (Equador): Na época era zagueiro titular absoluto. Em 2019 já demonstrava liderança, confirmada depois no Bayer Leverkusen e atualmente no Arsenal como lateral-esquerdo. Nome certo na Copa.
🇧🇷 Kaio Jorge (Brasil): Fez gol na final e logo depois teve uma venda milionária do Santos para a Juventus. Após uma lesão grave, buscou retomar o espaço no Cruzeiro (em 2024), onde voltou a ter boas atuações e chegou à Seleção, mas tem poucas chances de estar no grupo da Copa.
2019 x 2026: Veja como foi a transição de algumas seleções daquele Mundial
🇧🇷 Brasil: Não foi o que parecia…
O Brasil de 2019 foi campeão invicto, mas a transição para a seleção principal foi na direção contrária ao sucesso daquele grupo:
Yan Couto (Lateral-Direito): Um dos destaques daquela campanha, foi vendido pelo Coritiba ao Manchester City, foi emprestado ao Girona (do mesmo grupo) e atualmente está consolidado no Borussia Dortmund. Como naquela época, segue como um provável herdeiro da problemática lateral-direita na Seleção Brasileira principal. Mas perdeu espaço no grupo atual de Ancelotti e dificilmente estará na Copa.
Lázaro (Atacante): O herói do título de 2019 (era reserva, mas entrou para marcar o gol da vitória de virada contra a França na semifinal e o gol do título na final contra o México) teve uma transição bem inconsistente. Não se firmou no Flamengo, foi vendido ao espanhol Almeria e chegou a ser emprestado ao Palmeiras, onde também pouco jogou. Atualmente está no Al-Najma da Arábia Saudita.
João Peglow (Meia): Era o Camisa 10 e titular do Brasil, além de grande nome da base do Internacional. Mas não conseguiu transformar isso em carreira sólida. Após rodar por Porto B, Sport e clubes da Polônia, rescindiu com o Inter e busca retomar a carreira no DC United, da MLS.
Gabriel Veron (Meia): Melhor jogador do mundo Sub-17 naquele ano. Foi vendido pelo Palmeiras ao Porto como grande promessa, mas sofreu com lesões e questões disciplinares. Retornou ao Brasil tentando retomar a carreira, primeiro para o Cruzeiro, depois para Santos e Juventude, mas também sem sucesso. Atualmente está emprestado pelo Porto ao Nacional da Madeira.
Matheus Donelli (Goleiro): Titular absoluto daquela geração e luva de ouro da Copa do Mundo, era tratado como o sucessor natural de Cássio no Corinthians. Mas na prática nunca passou nem perto disso. Está emprestado pelo Timão ao Shabab Al Ahli, dos Emirados Árabes Unidos.
Henri (Zagueiro): Capitão do Brasil e zagueiro promissor. Não teve sequência no profissional do Palmeiras. Atualmente, joga no North Texas SC (time B do FC Dallas, nos EUA).
João Pedro (Atacante): Era do mesmo grupo (jogou o Sul-Americano), mas não estava no elenco campeão porque não foi liberado pelo Watford, clube dele na época. Consolidado na Premier League, é titular do Chelsea e nome praticamente certo nos 26 da Seleção para a Copa.
🇪🇸 Espanha: a consistência rendeu frutos
A Espanha de 2019 parou nas quartas tomando um 6×1 da França em Goiânia, mas foi uma das seleções mais talentosas e a que forneceu mais nomes consistentes para 2026:
Pedri (Meio-campista): A grande estrela. Saiu do Sub-17 em 2019 direto para o estrelato mundial. É o dono da camisa 10 ou 8 da Espanha em 2026.
Alejandro Balde (Lateral-Esquerdo): Reserva em 2019, hoje é titular do Barcelona e nome certo da lateral espanhola para a Copa.
Robert Navarro (Meia/Ponta): Conseguiu se firmar em La Liga com a camisa do Athletic Bilbao e é uma das opções de velocidade no elenco de Luis de la Fuente.
🇫🇷 França: a fábrica de talentos
A França ficou em 3º lugar em 2019 e, como esperado, vários jogadores “graduaram” para o time principal de Didier Deschamps:
Tanguy Nianzou (Zagueiro): O zagueiro que era capitão e xerife em 2019 consolidou sua carreira na Europa no Sevilla e é uma das opções defensivas para este Mundial.
Arnaud Kalimuendo (Atacante): O artilheiro daquela geração francesa hoje disputa vaga no ataque com os veteranos, mas dificilmente irá à Copa. Está no Eintracht Frankfurt, emprestado pelo Nottingham Forest.
Rayan Cherki (Meia): Já era uma promessa daquela geração, mas não foi ao Mundial porque já atuava no time profissional do Lyon. Hoje brilha no Manchester City (sob comando de Guardiola) e é um dos criadores de jogadas da França para 2026.
🇦🇷 Argentina: A “Escada” para o Sucesso
Diferente de outras gerações, a de 2019 foi muito focada em formar jogadores de grupo para Scaloni:
Matias Soulé (Atacante): Embora não tenha sido o protagonista absoluto em 2019, sua evolução na Juventus e atualmente na Roma o colocou como o “sucessor natural” em algumas funções ofensivas da Argentina em 2026. Deve ir à Copa como reserva.
Exequiel Zeballos (Meia-atacante): O “Changuito” sofreu com lesões, mas sua habilidade demonstrada no Brasil em 2019 garantiu sua vaga como arma de segundo tempo na seleção principal. É destaque do Boca Juniors e esteve em convocações recentes de Scaloni.
🌍 Outras Seleções de Destaque
O Mundial de 2019 espalhou talentos que hoje são os “donos” de suas seleções nacionais:
🇺🇸 Estados Unidos: Feitos para brilhar em casa
Giovanni Reyna (Meia-atacante): Um dos grandes nomes da geração dos Estados Unidos que foi moldada para chegar pronta em 2026. Jogou o Mundial no Brasil e agora é a esperança dos americanos jogando em casa em 2026. Revelado pelo Borussia Dortmund, atualmente joga no outro Borussia, o Mönchengladbach.
Joe Scally (Lateral-direito): Lateral que também estava em 2019 e é peça carimbada na defesa americana. Joga junto com Reyna no alemão Borussia Mönchengladbach.
🇦🇺 Austrália: Renovação com Base no Brasil
Os Socceroos fizeram uma campanha digna em 2019 (oitavas de final) e três nomes daquele grupo são hoje peças de Premier League ou Championship que estarão na Copa 2026:
Ryan Teague (Meia): O capitão de 2019. Após rodar pela Europa, tornou-se o herdeiro de Aaron Mooy no controle do jogo da Austrália. Está no Melbourne City.
Jordan Bos (Lateral-esquerdo): Não era o nome mais badalado em 2019, mas teve uma explosão física absurda. É titular absoluto na lateral-esquerda da Austrália para 2026 e um dos destaques do Feyenoord, da Eredivisie holandesa.
Nestory Irankunda (Ponta): Ele é a estrela da atual geração australiana, mas em 2019 ainda era jovem demais para estar no grupo daquele Mundial. No entanto, mesmo com 14 anos na época conviveu com a transição dessa geração. Está atualmente no Watford, da Champioship inglesa, e já desperta interesse nos gigantes do país.
🇰🇷 Coreia do Sul: Disciplina e Continuidade
A Coreia chegou às quartas em 2019 e manteve a espinha dorsal técnica:
Lee Tae-seok (Lateral): Filho da lenda Lee Eul-yong (2002), manteve o legado da família e está confirmado na lista de 2026 pela sua precisão nos cruzamentos. Joga no Áustria Viena.
Jeong Sang-bin (Atacante): O “Korean Mbappé” de 2019. Após passagem pela Europa, fixou-se no St. Louis City da MLS e é a principal arma de contra-ataque da Coreia para 2026.
Eom Ji-sung (Meia): Outro remanescente das quartas de final que chegou a vestir a camisa 10 da seleção principal em amistosos recentes. É titular e um dos destaques da Champioship (Segunda Divisão Inglesa) com o Swansea City de País de Gales.
🇲🇽 México: O Vice que “envelheceu” bem
O México perdeu a final para o Brasil, mas “ganhou” jogadores prontos para 2026:
Efraín Álvarez (Meia): A joia do LA Galaxy em 2019. Demorou a engrenar, mas em 2026 é o reserva de luxo e criador de jogadas da Tri. Está no Tijuana, que joga a primeira divisão mexicana.
Víctor Guzmán (Zagueiro): O xerife da defesa em 2019. Hoje é o titular da zaga central mexicana, sendo um dos poucos daquela final que se tornou “indiscutível”. É a liderança moral do mexicano Pachuca.
🇭🇹 O “Milagre Haitiano” de 2019 para 2026
A seleção do Haiti que veremos em 2026, inclusive enfrentando o Brasil, tem pilares que choraram a eliminação logo na primeira fase no Estádio da Serrinha, em Goiânia, com três derrotas. Mal sabiam que as lágrimas daquele dia iriam regar uma geração que fez história no país:
Dany Jean (Atacante): O grande destaque de 2019. Na época jogava no Aigle Noir (Haiti), foi para o Strasbourg (França) e hoje é a referência técnica da seleção principal e do Torreense, da segunda divisão portuguesa.
Dany Jean é um dos destaques do Haiti
Carl Fred Sainté (Meio-campista): Era o motor do time em 2019. Conseguiu se profissionalizar no futebol dos EUA (joga no El Paso Locomotive, clube da USL Championship) e é titular absoluto na contenção do Haiti para 2026.
Kervens Jolicoeur (Atacante): Outro remanescente que ganhou físico e experiência internacional, sendo peça chave no esquema de velocidade da equipe. Atua no ASC San Diego, das divisões inferiores dos EUA.
O Wolverhampton foi rebaixado da Premier League 2025/26. Com apenas 17 pontos em 33 jogos, o clube confirmou o retorno à Championship, a segunda divisão inglesa, e arrastou consigo três brasileiros que chegaram ao clube com status de grande contratação: o volante André, ex-Fluminense campeão da Libertadores; João Gomes, revelação das categorias de base do Flamengo, e Pedro Lima, uma das grandes promessas do Sport nesse século.
A queda do Wolves: o que deu errado
A temporada dos Wolves foi uma das piores da história recente do clube na elite inglesa. Em dezembro de 2025, a equipe superou o recorde negativo de maior sequência sem vencer na Premier League, com 18 rodadas consecutivas sem triunfo. O ponto de virada foi a venda do atacante Matheus Cunha ao Manchester United por R$ 472 milhões. O brasileiro foi a espinha dorsal da equipe na temporada anterior, com 17 gols e 6 assistências.
Os reforços contratados para substituí-lo, como o colombiano Jhon Arias, não conseguiram compensar a ausência. A equipe amargou derrotas seguidas e nunca encontrou estabilidade tática, trocando de técnico e acumulando resultados negativos ao longo de toda a temporada.
André e João Gomes: protagonistas em campo, vítimas do coletivo
O drama do rebaixamento não apaga os números individuais especialmente de João Gomes. Em janeiro, o volante ex-Flamengo chegou a lideraroito estatísticas da equipe, entre elas desarmes (52), passes certos (1.000), duelos pelo chão ganhos (100) e minutos jogados (1461). Em um time disfuncional, o brasileiro foi o que mais trabalhou.
André, por sua vez, virou coadjuvante involuntário de uma temporada que prometia muito e entregou pouco. O meio-campista, que chegou cercado de expectativas após conquistar a Libertadores com o Fluminense em 2023, viveu em Wolverhampton o cenário oposto ao que imaginava quando deixou o Brasil.
O dilema de sempre: gigante brasileiro ou médio europeu?
O rebaixamento do Wolves reacende um debate que o futebol brasileiro nunca resolveu de verdade. Gabigol verbalizou com clareza: é melhor ser protagonista em um grande clube brasileiro do que figurante em time médio europeu. Pedro e o próprio Gabigol voltaram para o Brasil sem deixar marca na Europa antes de se tornarem ídolos no Flamengo.
Os fatores que empurram os jogadores para fora são reais: a desvalorização do real, a pressão dos clubes brasileiros por caixa rápido, a sedução do sonho europeu e a influência de empresários que lucram com transferências. O problema é que esses fatores raramente levam em conta a qualidade do destino, apenas a existência dele. Sair do Brasil virou quase um reflexo, independentemente de o clube europeu estar subindo ou afundando na tabela.
O problema é que a Europa não é tudo igual. Ir para o Manchester City ou para o Real Madrid é diferente de ir para o Wolverhampton em queda livre. E André e João Gomes aprenderam isso da pior forma: jogando bem demais para um time que nunca teve condições de aproveitá-los.
O Brasileirão 2026 chamou a atenção além das fronteiras do Brasil, mas não foi exatamente pelo bom futebol. O diário esportivo espanhol AS publicou uma reportagem especial chamando o futebol brasileiro de “inferno dos treinadores”, após constatar que 10 técnicos foram demitidos nas primeiras 10 rodadas do Campeonato Brasileiro.
Os 10 demitidos nas 10 primeiras rodadas
A lista reúne nomes de peso, incluindo os três últimos treinadores da Seleção Brasileira: Tite (Cruzeiro), Fernando Diniz (Vasco) e Dorival Júnior (Corinthians).
Clube
Treinador demitido
Rodada
Atlético-MG
Jorge Sampaoli
3ª
Vasco
Fernando Diniz
3ª
Remo
Juan Carlos Osório
4ª
Flamengo
Filipe Luís
4ª
São Paulo
Hernán Crespo
5ª
Cruzeiro
Tite
6ª
Santos
Juan Vojvoda
7ª
Botafogo
Martín Anselmi
8ª
Chapecoense
Gilmar Dal Pozzo
9ª
Corinthians
Dorival Júnior
10ª
O que a imprensa espanhola viu que o Brasil já normalizou
O AS apontou uma curiosidade que incomoda: ao mesmo tempo que os clubes dispensam técnicos no ritmo de um por semana, o Brasil recicla sempre os mesmos nomes. A publicação cita Renato Gaúcho como símbolo da falta de renovação, já que o treinador está em sua sétima passagem pelo Fluminense.
Para o jornal espanhol, isso revela um ciclo vicioso: a impaciência dos dirigentes empurra os clubes a demitir rápido, mas a falta de novas referências faz com que sempre recorram ao mesmo cardápio de técnicos disponíveis.
O contraponto: Abel Ferreira como exceção à regra
O AS também registrou o outro lado da moeda. Para ilustrar que estabilidade é possível e rentável, a reportagem citou Abel Ferreira, o português que comanda o Palmeiras desde o segundo semestre de 2020. Em mais de cinco anos no cargo, Abel acumulou títulos e construiu uma das maiores dinastias recentes do futebol continental.
Com 10 demissões em 10 rodadas, o Brasileirão 2026 já equivale a 46% de todas as demissões de 2025 inteiro, quando o campeonato terminou com 22 trocas de comando. O ritmo, se mantido, pode quebrar recordes históricos da competição.