Dez anos, 20 títulos e dever cumprido: o fim da era mais dominante do futebol inglês
Guardiola decide deixar o Manchester City após 10 anos e 20 títulos. Enzo Maresca é o substituto confirmado. Despedida será contra o Aston Villa no dia 24.
Pep Guardiola vai deixar o Manchester City ao fim da temporada 2025/26, encerrando uma das eras mais dominantes da história do futebol europeu. Segundo BBC, Daily Mail e The Athletic, o treinador espanhol de 55 anos fará sua despedida oficial no próximo domingo (24), na partida contra o Aston Villa, no Etihad Stadium, pela última rodada da Premier League. Guardiola tem contrato até junho de 2027, mas optou por antecipar a saída em um ano, por decisão própria. O substituto já está definido: Enzo Maresca, ex-Chelsea, confirmado pelo jornalista Fabrizio Romano.
A decisão e o timing
A saída não foi uma surpresa total. Desde dezembro de 2025, o próprio Guardiola havia deixado sinais públicos de que poderia encerrar o ciclo: “Sou um cara esquisito, muito esquisito, e talvez eu acorde de manhã e diga: estou indo embora. Tchau, tchau!”
Em março de 2026, após a eliminação para o Real Madrid na Champions League, voltou a brincar com o tema: “Um dia eu vou chegar aqui e dizer: Tchau, pessoal! E ainda estou aqui.” O clube afirma oficialmente que possui contrato para a próxima temporada e esperava que ele permanecesse, mas os preparativos internos para a saída já estavam em andamento há semanas.
Pep Guardiola à beira do gramado durante jogo da volta da semifinal da Champions, em 2022. Foto: PAUL ELLIS / AFP
Dez anos, uma dinastia
Guardiola chegou ao Manchester City em julho de 2016, vindo do Bayern de Munique, e transformou um clube já rico em uma máquina de títulos sem precedentes na Premier League. Em dez temporadas, conquistou 20 títulos pelo City, incluindo seis ligas inglesas, uma Champions Leagues e um Mundial de Clubes.
O auge foi a temporada 2022/23, com a conquista da tríplice coroa histórica, Premier League, FA Cup e Champions League, façanha que colocou o City no panteão dos maiores clubes da história. A campanha de 2025/26, mesmo sem o título da Premier League, ainda rendeu a League Cup e a FA Cup ao clube.
Pep Guardiola conquistou seu 20º troféu na Inglaterra. Foto: EFE
Maresca: o herdeiro que conhece a casa
Enzo Maresca não é um estranho no Etihad. O italiano de 46 anos foi auxiliar de Guardiola no próprio Manchester City na conquista da Tríplice Coroa, em 2022/23, antes de seguir carreira solo pelo Leicester, onde conquistou o acesso à Premier League e pelo Chelsea.
No Chelsea, levou o clube ao título do Mundial de Clubes da FIFA em 2025, mas foi demitido em janeiro de 2026 após resultados inconsistentes na Premier League. Desde então, estava sem clube e aguardando exatamente essa chamada. O diretor de futebol do City, Hugo Viana, liderou as negociações.
Enzo Maresca vai substituir Pep Guardiola no Manchester City. Foto: Getty Images
O que esperar da era pós-Guardiola
Substituir Guardiola é, provavelmente, a missão mais ingrata do futebol mundial. Nenhum clube que passou por mudança semelhante, como Bayern de Munique e Barcelona, manteve o mesmo nível imediatamente. O City sabe disso, por isso a escolha por Maresca faz sentido: alguém que conhece a filosofia, o vestiário e a estrutura do clube.
Mas o Etihad, a partir de julho de 2026, será um lugar diferente. Pep Guardiola transformou Manchester City em referência global de futebol. Agora, o clube enfrenta o maior desafio da sua era moderna: continuar vencendo sem ele.
A cena aconteceu em Lima, na vitória do Palmeiras por 2 a 0 sobre o Sporting Cristal. No momento em que Flaco López abria o placar e fazia sinal de positivo para a comissão técnica, Abel Ferreira retribuiu com o dedo errado, o do meio. A Conmebol não perdoou: abriu processo disciplinar e o Palmeiras tem até 13 de maio para apresentar defesa. A multa pode chegar a US$ 25 mil.
Depois da partida, Abel explicou com a sinceridade que é sua marca: Flaco é o jogador que mais “leva na cabeça” dele, recebe vídeos no WhatsApp e instruções de manhã, tarde e noite. O gesto, segundo o português, foi um ato de afeto. Algo entre pai e filho. Dentro do clube, o episódio foi tratado como brincadeira. Do lado de fora, as crianças que assistiam ao jogo com os pais provavelmente ficaram com dúvidas que nenhuma brincadeira explica.
Dois portugueses, dois dedos. Coincidência?
Em maio de 2025, Renato Paiva foi flagrado pelas câmeras erguendo o dedo do meio durante a comemoração do gol de Artur, que deu ao Botafogo a vitória por 3 a 2 sobre o Estudiantes na Libertadores. A internet especulou: seria para a torcida? Para o banco adversário? Para o árbitro? Paiva foi ao microfone e revelou que a culpa era de um auxiliar insistente que queria tirar Artur de campo por desgaste físico. Quando o atacante marcou, o técnico mandou o recado ao colega: “eu disse”.
Foto: Reprodução TV Globo
Paiva saiu ileso. Apresentou um currículo de fair play (uma expulsão em 23 anos, no sub-17 do Benfica) e encerrou o assunto com uma frase que ficou: “Só se eu fosse muito estúpido.” Abel Ferreira repetiu o gesto um ano depois, em Lima, mas dessa vez com câmeras em alta definição, processo aberto e WhatsApp como prova do contexto. O detalhe, no futebol, é sempre a audiência.
Diniz, Luciano e o fim de uma amizade
Em maio de 2024, numa partida entre São Paulo e Fluminense pelo Brasileirão, Fernando Diniz perdeu a paciência com Luciano à beira do campo. O atacante havia feito uma cobrança de lateral rápida enquanto um jogador do Flu estava caído se recuperando. Diniz foi em direção a Luciano e começou a xingá-lo. O atacante pediu para ele parar. Diniz encerrou a conversa dizendo que a amizade entre os dois tinha acabado.
Foto: Guilherme Veiga/Gazeta Press
Luciano, que havia trabalhado sob o comando de Diniz no São Paulo, respondeu na mesma intensidade: “Se ele pensa assim, então para mim também acabou. Eu jamais xingaria ele à beira do campo. Ele precisa entender que não é mais meu treinador.” O futebol tem essa crueldade bonita. Junta pessoas por meses, cria laços, conquistas, memórias, e desfaz tudo em trinta segundos de raiva numa linha de fundo.
A briga, o SMS e o fim de uma era no Chelsea
Antonio Conte cobrava Diego Costa sem parar durante o jogo contra o Leicester em 2017, com o Chelsea já vencendo por 3 a 0. Costa pediu para ser substituído. Conte ignorou e pressionou mais. A discussão foi do gramado para o vestiário, onde os dois precisaram ser separados em clima de “extrema tensão”. Poucos meses depois, Conte comunicou por mensagem de texto que o atacante estava fora dos planos. Uma rescisão por SMS que entrou para a história do futebol como um dos momentos mais frios da relação técnico-jogador.
Foto: Getty Images
Diego Costa, anos depois, resumiu o ambiente num podcast: “Ele não confia em ninguém, acha que sabe tudo, você não aproveita os treinos.” O Chelsea ganhou o título inglês naquela temporada. Raiva e resultado podem andar juntos. Mas o preço foi alto: o jornalista Gianluca Di Marzio apurou que a forma como Conte dispensou Costa foi justamente o motivo pelo qual o clube o demitiu sem pagar a multa rescisória de 10 milhões de euros. Um dedo do meio teria sido mais barato.
A postura de Kylian Mbappé vem gerando cada vez mais incômodo no Real Madrid. De acordo com o jornal francês L’Équipe, o atacante tem sido visto como individualista, provocando desgaste tanto com os torcedores quanto dentro do clube. O problema não é falta de gols. São 42 gols em 46 jogos nessa temporada pelo Real. O problema é o que acontece quando as chuteiras ficam no armário.
Fora dos gramados desde 24 de abril por causa de um problema muscular na coxa, Mbappé aproveitou o fim de semana para ir a Cagliari, na Itália, acompanhado da atriz Ester Expósito. A decisão não caiu bem, especialmente por acontecer às vésperas do clássico contra o Barcelona. Para piorar, Mbappé retornou a Madri poucos minutos antes do início da partida contra o Espanyol, o que ampliou a percepção de falta de comprometimento em um momento crucial da temporada.
E esse não foi o primeiro episódio. Em março, durante uma derrota do Real Madrid para o Getafe, o francês foi visto jantando em Paris com amigos, o que já havia gerado controvérsia e críticas.
Mbappé lamenta. (Foto: Marcelo Del Pozo/Reuters)
Smoking no vestiário: a metáfora que ficou no ar
O técnico Álvaro Arbeloa, sem citar nomes, afiou o bisturi na coletiva. “Me incomoda quando corremos menos que os outros, e não apenas sem bola. O Real Madrid não se construiu entrando em campo de smoking, mas se sujando de suor e de barro”, disparou o comandante.
Dois episódios recentes teriam sido o estopim para a crise: um atraso de 40 minutos para um almoço oficial da equipe e uma atitude desrespeitosa a um membro da comissão técnica durante um treinamento. O que mais irritaria o grupo é a ausência de punições — a percepção de que o atacante tem privilégios intocáveis começou a quebrar a harmonia do elenco. Quando a estrela mais cara do planeta não é cobrada como os outros, o vestiário racha por dentro.
O reflexo dessa tensão é o aparente isolamento do craque com o restante do elenco. Atualmente, Mbappé manteria laços estreitos apenas com o “clã francês” do elenco, formado por Ferland Mendy, Aurélien Tchouameni e Eduardo Camavinga.
Entra Vini Jr., o capitão sem braçadeira
Enquanto a novela francesa se arrasta, o camisa 7 carioca parece ter reassumido seu papel de liderança. Arbeloa foi direto ao ponto após a vitória sobre o Espanyol: “Ele voltou a fazer uma grande exibição, marcando dois golaços, sendo o líder no setor ofensivo da equipe e uma ameaça cada vez que pega na bola. É muito agressivo, inteligente, muito corajoso, constante.”
Arbeloa completou o elogio com força total: “Um jogador fantástico, um líder nato, um companheiro de equipe que todos adoram, uma ótima pessoa. Tenho muito orgulho de tê-lo como jogador; sou incrivelmente sortudo.”
Os números de Vini em 2026 sustentam cada palavra: 16 gols em 28 jogos, segundo maior artilheiro do ano no futebol europeu, atrás apenas de Harry Kane. E mais: o brasileiro entrou numa seleta prateleira do clube, tornando-se apenas o oitavo atleta do Real Madrid a fazer 20 ou mais gols em cinco temporadas seguidas.
O Brasil precisa do líder que o Real Madrid já descobriu
A Copa do Mundo começa em menos de 40 dias, e o Brasil chega ao torneio buscando algo que não vê desde 2002: a taça. Vini Jr. não é apenas o melhor jogador da Seleção, ele pode ser o eixo emocional de um grupo que historicamente naufraga quando falta alguém para segurar o leme nos momentos de tempestade.
Vini Jr. comemora gol. (Foto: Conmebol)
O que o Real Madrid mostrou nesta temporada é revelador: quando Vini assume a liderança, o time respira diferente. E lidera pelo exemplo, pelos gols, por ajudar na marcação, pelo abraço no companheiro que errou.
A pergunta que devemos fazer é: “O entorno vai saber proteger e empoderar esse líder que está em plena ascensão?” Se a resposta for sim, o Brasil pode ter, finalmente, um líder que uma Copa exige.
Ana Paula, BBB 26 e a premiação que envergonhou o futebol argentino
Ana Paula ganhou R$ 5,7 milhões no BBB 26, o dobro da premiação do Estudiantes, campeão argentino. O contraste revela muito sobre o futebol sul-americano
Ana Paula Renault venceu o BBB 26 na noite desta terça-feira (22) com 75,94% dos votos. Ela levou para casa o maior prêmio da história do reality: R$ 5.708.712,00, valor que, no campo esportivo, supera em dobro a premiação paga ao Estudiantes, campeão do Campeonato Argentino 2025/26. O contraste acendeu o debate nas redes: o que isso diz sobre o futebol sul-americano?
As premiações do futebol sul-americano em perspectiva
O Estudiantes de La Plata conquistou o Campeonato Argentino 2025/26, mas a festa foi regada a champagne mais barato do que o da casa do BBB. A premiação paga ao clube campeão pelo torneio é de aproximadamente R$ 2,85 milhões, praticamente metade do que Ana Paula levou por vencer um reality show.
O dado escancarou uma realidade conhecida, mas raramente tão bem ilustrada: o futebol sul-americano, fora do Brasil, ainda distribui premiações muito abaixo do que o mercado de entretenimento paga por audiência e engajamento.
Liga
Premiação ao campeão (aprox.)
Campeonato Argentino
US$ 500 mil — R$ 2,85 mi
Campeonato Chileno
US$ 500 mil — R$ 2,85 mi
Campeonato Colombiano
US$ 500 mil — R$ 2,85 mi
Campeonato Uruguaio
US$ 500 mil — R$ 2,85 mi
Campeonato Paraguaio
US$ 500 mil — R$ 2,85 mi
BBB 26 — Ana Paula
R$ 5,7 milhões
O futebol brasileiro no meio do caminho
Para contextualizar: o BBB 26 pagou mais do que qualquer premiação de torneio nacional na Argentina, mas ainda está longe dos valores do futebol europeu, onde a premiação só por participar da fase de liga da Champions League ultrapassa 18,62 milhões de euros, aproximadamente R$ 114,8 milhões.
No Brasil, o cenário já mudou bastante. Os clubes brasileiros investiram R$ 1,4 bilhão em contratações na última janela, e o salário mensal de jogadores como Memphis Depay no Corinthians chegou a R$ 2,9 milhões.
Mais do que uma curiosidade
O contraste entre o prêmio do BBB e a premiação do futebol argentino não é apenas um dado curioso para circular nas redes sociais. Ele é um retrato fiel das prioridades econômicas do entretenimento sul-americano: onde o dinheiro flui, o produto cresce. O BBB 26 atraiu patrocínio suficiente para dobrar seu prêmio histórico. O futebol argentino ainda tenta convencer seus campeões de que o título vale mais do que o cheque.