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Esporte

E a SAF do Fluminense? De assunto do momento a processo silencioso

Em setembro de 2025, o mundo tricolor girava em torno de bilhões. Em abril de 2026, o tema mal aparece nas manchetes. O que aconteceu com a maior operação da história recente do clube?

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O barulho todo de 2025

Setembro de 2025 foi um mês intenso para o tricolor. O Fluminense oficializou uma proposta para se tornar uma Sociedade Anônima do Futebol, negócio liderado pelo BTG Pactual que estava sendo estudado há quase quatro anos, com a promessa de R$ 6,9 bilhões em investimentos nos próximos dez anos. Segundo os envolvidos no negócio, após a conclusão, o Fluminense seria o clube com maior valor já atribuído na história do futebol brasileiro.

O modelo chamou atenção por uma diferença fundamental em relação a outras SAFs do futebol nacional. Ao contrário das SAFs do Cruzeiro e Botafogo, onde um empresário assumiu o controle e a gestão do clube, o modelo tricolor contaria com 40 investidores milionários, apaixonados pelo Fluminense, adquirindo participações na empresa que iria administrar o futebol. Entre os 40 investidores estão a família do banqueiro André Esteves, fundador do BTG Pactual, os Klabin, da indústria de papel e celulose, os Almeida Braga, ligados à Bradesco Seguros, e membros da família Monteiro Aranha. 

A proposta que sacudiu as Laranjeiras

Os números apresentados à época eram de fazer qualquer tricolor sonhar acordado. O plano previa cinco pilares fundamentais: investimento em Xerém, aumento da folha salarial, contratação de atletas, aprimoramento na análise de dados e sustentabilidade financeira a longo prazo — com a meta de colocar o Fluminense entre os três maiores clubes do país. Um projeto ambicioso, com endereço certo. O aporte inicial proposto era de R$ 500 milhões por 65% das ações, além da assunção das dívidas de R$ 870 milhões, totalizando um valor implícito de R$ 1,37 bilhão.

O silêncio calculado de 2026

Chegou o ano novo e, com ele, uma palavra virou favorita nos corredores do CT Carlos Castilho: cautela. O clube ainda não havia concluído o balanço financeiro de 2025, e sem esse documento o processo de avaliação da SAF não poderia avançar. O prazo de publicação do balanço vai até 30 de Abril.

O presidente Mattheus Montenegro tratou o assunto com a sobriedade de quem não quer criar expectativas além da conta. Em coletiva realizada em março, foi direto ao ponto: o processo não parou, mas tem rito a seguir — e as primeiras pessoas a saberem dos próximos passos serão os conselheiros do Fluminense, em reunião aberta. 

Mattheus Montenegro e Mario Bittencourt em salão das Laranjeiras
Matheus Montenegro e Mario Bittencourt (Foto: Marcelo Gonçalves/FFC)

O que esperar daqui pra frente?

O projeto segue vivo, portanto. Só que em marcha lenta, ao ritmo burocrático que os grandes negócios exigem, e que os torcedores detestam. O Fluminense precisa tratar todo o processo de SAF com muita cautela, vide os exemplos negativos que acontecem em outros clubes, pois SAF não é sinônimo de sucesso esportivo imediato e precisa do máximo de transparência possível.

Athletico

Das derrotas à permanência: por que Rogério Ceni no Bahia é um fenômeno raro no futebol brasileiro moderno

Ceni fica no Bahia apesar da pressão e é o 2º técnico mais longevo da Série A. Entenda por que alguns treinadores são intocáveis no futebol brasileiro

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Rogério Ceni, técnico do Bahia, em coletiva pós jogo
Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia

A derrota por 3 a 1 para o Remo, em casa, no jogo de ida da 5ª fase da Copa do Brasil, gerou pressão da torcida e dúvidas externas, mas não abalou a posição de Rogério Ceni no Bahia. O clube confirmou a permanência do treinador, que segue no cargo com contrato até dezembro de 2027. Em um campeonato que já demitiu 10 técnicos nas primeiras 10 rodadas, Ceni é uma das raras exceções e o motivo vai além do resultado de uma partida.

O projeto que protege Ceni

Desde que chegou ao Bahia em setembro de 2023, Rogério Ceni construiu um histórico difícil de ignorar: são mais de 150 jogos no comando, com aproveitamento em torno de 59%, além de dois títulos do Campeonato Baiano consecutivos e a classificação do clube para duas Libertadores.

O Grupo City, dono do clube, opera com uma filosofia de gestão de longo prazo e Ceni é parte central desse projeto. Mesmo reconhecendo que como treinador não dispõe do mesmo tempo que os investidores, o próprio técnico já declarou que busca “acelerar os processos” dentro dessa visão.

O ranking dos mais longevos no Brasil

No cenário atual do futebol brasileiro, a longevidade virou exceção. Com 10 técnicos demitidos nas primeiras 10 rodadas do Brasileirão 2026, quem sobrevive por mais de um ano no cargo já é notícia. Ceni é o 2º técnico mais longevo da Série A, atrás apenas de Abel Ferreira, no Palmeiras desde outubro de 2020.

TécnicoClubeNo cargo desde
Abel FerreiraPalmeirasOutubro de 2020 
Rogério CeniBahiaSetembro de 2023 
Rafael GuanaesMirassolMarço de 2025
Odair HellmannAthleticoMaio de 2025

Abel: o modelo que ninguém consegue replicar

Se Ceni é o segundo mais longevo, Abel Ferreira é o fenômeno isolado. O português está no Palmeiras há mais de cinco anos, uma eternidade no futebol brasileiro, e acumula mais de 10 títulos no cargo. Em um país onde a média de permanência de um técnico na Série A é de menos de seis meses, Abel virou referência mundial de gestão de carreira.

O próprio caso de Abel mudou a mentalidade de alguns clubes. O Verdão provou que estabilidade gera títulos e o Bahia, com o Grupo City, parece ter absorvido essa lição ao blindar Ceni mesmo em momentos de pressão.

O técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, durante partida da Conmebol Libertadores (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Na história, o caso mais extremo

Na lista histórica dos técnicos mais longevos em um único clube brasileiro, o recorde absoluto pertence a Amadeu Teixeira, do América-AM: 53 anos no comando do mesmo clube, de 1955 a 2008. No Santos, Lula comandou o time em 945 jogos entre 1954 e 1966. Números de outra época e de outro futebol.

Hoje, o futebol brasileiro funciona em outra velocidade. Por isso, quando um técnico como Ceni resiste a uma derrota por 3 a 1 em casa e segue no cargo, isso já diz mais sobre o clube do que sobre o treinador.

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BBB

Ana Paula, BBB 26 e a premiação que envergonhou o futebol argentino

Ana Paula ganhou R$ 5,7 milhões no BBB 26, o dobro da premiação do Estudiantes, campeão argentino. O contraste revela muito sobre o futebol sul-americano

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Dirigentes do Estudiantes de La Plata com o cheque de premiação do Campeonato Argentino
Foto: Fernando de la Orden

Ana Paula Renault venceu o BBB 26 na noite desta terça-feira (22) com 75,94% dos votos. Ela levou para casa o maior prêmio da história do reality: R$ 5.708.712,00, valor que, no campo esportivo, supera em dobro a premiação paga ao Estudiantes, campeão do Campeonato Argentino 2025/26. O contraste acendeu o debate nas redes: o que isso diz sobre o futebol sul-americano?

As premiações do futebol sul-americano em perspectiva

O Estudiantes de La Plata conquistou o Campeonato Argentino 2025/26, mas a festa foi regada a champagne mais barato do que o da casa do BBB. A premiação paga ao clube campeão pelo torneio é de aproximadamente R$ 2,85 milhões, praticamente metade do que Ana Paula levou por vencer um reality show.

O dado escancarou uma realidade conhecida, mas raramente tão bem ilustrada: o futebol sul-americano, fora do Brasil, ainda distribui premiações muito abaixo do que o mercado de entretenimento paga por audiência e engajamento.

LigaPremiação ao campeão (aprox.)
Campeonato ArgentinoUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
Campeonato ChilenoUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
Campeonato ColombianoUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
Campeonato UruguaioUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
Campeonato ParaguaioUS$ 500 mil — R$ 2,85 mi 
BBB 26 — Ana PaulaR$ 5,7 milhões 

O futebol brasileiro no meio do caminho

Para contextualizar: o BBB 26 pagou mais do que qualquer premiação de torneio nacional na Argentina, mas ainda está longe dos valores do futebol europeu, onde a premiação só por participar da fase de liga da Champions League ultrapassa 18,62 milhões de euros, aproximadamente R$ 114,8 milhões.

No Brasil, o cenário já mudou bastante. Os clubes brasileiros investiram R$ 1,4 bilhão em contratações na última janela, e o salário mensal de jogadores como Memphis Depay no Corinthians chegou a R$ 2,9 milhões.

Mais do que uma curiosidade

O contraste entre o prêmio do BBB e a premiação do futebol argentino não é apenas um dado curioso para circular nas redes sociais. Ele é um retrato fiel das prioridades econômicas do entretenimento sul-americano: onde o dinheiro flui, o produto cresce. O BBB 26 atraiu patrocínio suficiente para dobrar seu prêmio histórico. O futebol argentino ainda tenta convencer seus campeões de que o título vale mais do que o cheque.

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Copa do Mundo 2026

O craque, a maca e o sonho que ficou para trás: as lesões que roubaram títulos da Copa do Mundo

De Zidane a Neymar, o futebol tem uma lista dolorosa de gênios que o destino tirou da maior festa do mundo na pior hora possível.

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Estêvão - Chelsea x Manchester United - Premier League
Foto: Action Images via Reuters/Peter Cziborra

A Copa do Mundo é o maior palco do futebol — e o mais cruel. Quatro anos de preparação, uma janela de três semanas, e a menor distração do corpo pode transformar o sonho em pesadelo de maca. Não raro, as lesões decidem não apenas carreiras individuais, mas o rumo inteiro de torneios. Estevão, joia do Chelsea, pode ser o mais recente nome a entrar para essa amarga lista. O Kmiza 27 traz algumas das lesões que mais causaram impacto em campanhas de Copa do Mundo.

Neymar 2014: dois centímetros que mudaram a história

Neymar estava voando, tinha feito quatro gols em cinco partidas, e então veio a joelhada de Camilo Zúñiga nas suas costas, aos 41 minutos do segundo tempo no Castelão. A fratura na terceira vértebra lombar tirou o camisa 10 do torneio e deixou o Brasil sem sua maior arma para a semifinal fatídica. Sem Neymar, o Brasil foi humilhado pela Alemanha por 7 a 1 na semifinal em Belo Horizonte — a maior vergonha da história da seleção canarinha. 

Foto: Odd Andersen/AFP

Ronaldo e a convulsão de 1998: o mistério que persegue o Fenômeno

O maior jogador do mundo em 1998, artilheiro da Inter de Milão, favorito a qualquer prêmio individual, tinha o mundo aos seus pés no dia da final. E então, no quarto da concentração, Ronaldo teve uma convulsão. O mundo parou. A seleção entrou em pânico. O nome de Edmundo apareceu na escalação — e, depois, o de Ronaldo voltou.

Ronaldo acabou jogando a final, mas não era Ronaldo. Apagado, distante, como se ainda estivesse no quarto de hotel. A França de Zidane aplicou 3 a 0 e o Fenômeno ganhou a Bola de Ouro de um torneio no qual o Brasil perdeu o título.

Foto: Getty Images

Zidane 2002: o colapso do craque e da atual campeã do mundo

Cinco dias antes da estreia, num amistoso protocolar contra a Coreia do Sul, Zidane sentiu a coxa e saiu. Sem ele, a melhor seleção do mundo perdeu para o Senegal, empatou com o Uruguai e foi eliminada na fase de grupos sem marcar um único gol. Quando voltou lesionado contra a Dinamarca, era tarde demais. A França, detentora do título, foi como a pior campeã da história das Copas.

Foto: Getty Images

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