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Copa do Mundo 2026

O craque, a maca e o sonho que ficou para trás: as lesões que roubaram títulos da Copa do Mundo

De Zidane a Neymar, o futebol tem uma lista dolorosa de gênios que o destino tirou da maior festa do mundo na pior hora possível.

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Estêvão - Chelsea x Manchester United - Premier League
Foto: Action Images via Reuters/Peter Cziborra

A Copa do Mundo é o maior palco do futebol — e o mais cruel. Quatro anos de preparação, uma janela de três semanas, e a menor distração do corpo pode transformar o sonho em pesadelo de maca. Não raro, as lesões decidem não apenas carreiras individuais, mas o rumo inteiro de torneios. Estevão, joia do Chelsea, pode ser o mais recente nome a entrar para essa amarga lista. O Kmiza 27 traz algumas das lesões que mais causaram impacto em campanhas de Copa do Mundo.

Neymar 2014: dois centímetros que mudaram a história

Neymar estava voando, tinha feito quatro gols em cinco partidas, e então veio a joelhada de Camilo Zúñiga nas suas costas, aos 41 minutos do segundo tempo no Castelão. A fratura na terceira vértebra lombar tirou o camisa 10 do torneio e deixou o Brasil sem sua maior arma para a semifinal fatídica. Sem Neymar, o Brasil foi humilhado pela Alemanha por 7 a 1 na semifinal em Belo Horizonte — a maior vergonha da história da seleção canarinha. 

Foto: Odd Andersen/AFP

Ronaldo e a convulsão de 1998: o mistério que persegue o Fenômeno

O maior jogador do mundo em 1998, artilheiro da Inter de Milão, favorito a qualquer prêmio individual, tinha o mundo aos seus pés no dia da final. E então, no quarto da concentração, Ronaldo teve uma convulsão. O mundo parou. A seleção entrou em pânico. O nome de Edmundo apareceu na escalação — e, depois, o de Ronaldo voltou.

Ronaldo acabou jogando a final, mas não era Ronaldo. Apagado, distante, como se ainda estivesse no quarto de hotel. A França de Zidane aplicou 3 a 0 e o Fenômeno ganhou a Bola de Ouro de um torneio no qual o Brasil perdeu o título.

Foto: Getty Images

Zidane 2002: o colapso do craque e da atual campeã do mundo

Cinco dias antes da estreia, num amistoso protocolar contra a Coreia do Sul, Zidane sentiu a coxa e saiu. Sem ele, a melhor seleção do mundo perdeu para o Senegal, empatou com o Uruguai e foi eliminada na fase de grupos sem marcar um único gol. Quando voltou lesionado contra a Dinamarca, era tarde demais. A França, detentora do título, foi como a pior campeã da história das Copas.

Foto: Getty Images

Copa do Mundo 2026

Mbappé apagado, Vini iluminado: Por que o camisa 7 reassumiu o protagonismo.

Na ausência do craque francês, fora desde 24 de abril, Vini Jr. passou a ser não somente a referência técnica, mas também de liderança.

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Foto: Judit Cartiel/Getty Images

Mbappé em modo avião, literalmente

A postura de Kylian Mbappé vem gerando cada vez mais incômodo no Real Madrid. De acordo com o jornal francês L’Équipe, o atacante tem sido visto como individualista, provocando desgaste tanto com os torcedores quanto dentro do clube. O problema não é falta de gols. São 42 gols em 46 jogos nessa temporada pelo Real. O problema é o que acontece quando as chuteiras ficam no armário.

Fora dos gramados desde 24 de abril por causa de um problema muscular na coxa, Mbappé aproveitou o fim de semana para ir a Cagliari, na Itália, acompanhado da atriz Ester Expósito. A decisão não caiu bem, especialmente por acontecer às vésperas do clássico contra o Barcelona. Para piorar, Mbappé retornou a Madri poucos minutos antes do início da partida contra o Espanyol, o que ampliou a percepção de falta de comprometimento em um momento crucial da temporada. 

E esse não foi o primeiro episódio. Em março, durante uma derrota do Real Madrid para o Getafe, o francês foi visto jantando em Paris com amigos, o que já havia gerado controvérsia e críticas. 

Mbappé lamenta. (Foto: Marcelo Del Pozo/Reuters)

Smoking no vestiário: a metáfora que ficou no ar

O técnico Álvaro Arbeloa, sem citar nomes, afiou o bisturi na coletiva. “Me incomoda quando corremos menos que os outros, e não apenas sem bola. O Real Madrid não se construiu entrando em campo de smoking, mas se sujando de suor e de barro”, disparou o comandante. 

Dois episódios recentes teriam sido o estopim para a crise: um atraso de 40 minutos para um almoço oficial da equipe e uma atitude desrespeitosa a um membro da comissão técnica durante um treinamento. O que mais irritaria o grupo é a ausência de punições — a percepção de que o atacante tem privilégios intocáveis começou a quebrar a harmonia do elenco. Quando a estrela mais cara do planeta não é cobrada como os outros, o vestiário racha por dentro.

O reflexo dessa tensão é o aparente isolamento do craque com o restante do elenco. Atualmente, Mbappé manteria laços estreitos apenas com o “clã francês” do elenco, formado por Ferland Mendy, Aurélien Tchouameni e Eduardo Camavinga. 

Entra Vini Jr., o capitão sem braçadeira

Enquanto a novela francesa se arrasta, o camisa 7 carioca parece ter reassumido seu papel de liderança. Arbeloa foi direto ao ponto após a vitória sobre o Espanyol: “Ele voltou a fazer uma grande exibição, marcando dois golaços, sendo o líder no setor ofensivo da equipe e uma ameaça cada vez que pega na bola. É muito agressivo, inteligente, muito corajoso, constante.”

Arbeloa completou o elogio com força total: “Um jogador fantástico, um líder nato, um companheiro de equipe que todos adoram, uma ótima pessoa. Tenho muito orgulho de tê-lo como jogador; sou incrivelmente sortudo.” 

Os números de Vini em 2026 sustentam cada palavra: 16 gols em 28 jogos, segundo maior artilheiro do ano no futebol europeu, atrás apenas de Harry Kane. E mais: o brasileiro entrou numa seleta prateleira do clube, tornando-se apenas o oitavo atleta do Real Madrid a fazer 20 ou mais gols em cinco temporadas seguidas.

O Brasil precisa do líder que o Real Madrid já descobriu

A Copa do Mundo começa em menos de 40 dias, e o Brasil chega ao torneio buscando algo que não vê desde 2002: a taça. Vini Jr. não é apenas o melhor jogador da Seleção, ele pode ser o eixo emocional de um grupo que historicamente naufraga quando falta alguém para segurar o leme nos momentos de tempestade.

Vini Jr. comemora gol. (Foto: Conmebol)

O que o Real Madrid mostrou nesta temporada é revelador: quando Vini assume a liderança, o time respira diferente. E lidera pelo exemplo, pelos gols, por ajudar na marcação, pelo abraço no companheiro que errou.

A pergunta que devemos fazer é: “O entorno vai saber proteger e empoderar esse líder que está em plena ascensão?” Se a resposta for sim, o Brasil pode ter, finalmente, um líder que uma Copa exige.

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Copa do Mundo 2026

Protocolo de raios nos EUA: como o rígido sistema de alerta de tempestades pode (e vai) impactar a Copa do Mundo 2026.

Jogos atrasados ou parados por horas? Sim, teremos! Entenda por que a polêmica regra das 8 Milhas vai ditar o ritmo de muitas partidas do Mundial disputadas em território americano. Protocolo não se aplica no México e no Canadá, que receberão 26 dos 104 jogos

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Placar eletrônico do Inter&Co Stadium, em Orlando, Flórida, mostra anúncio de "Weather Delay": atraso de evento por causa de alerta de tempestade durante jogo do Mundial de Clubes em 2025.

A Copa do Mundo de 2026 terá um desafio logístico “invisível” que vai muito além do deslocamento entre três países: o rigoroso protocolo de segurança contra tempestades elétricas dos Estados Unidos. Diferente do que ocorre na Europa ou na América do Sul, onde o árbitro muitas vezes decide sobre a continuidade sob chuva, nos EUA a palavra final é da tecnologia e das normas de segurança pública. O sistema, que já causou interrupções em massa no Mundial de Clubes da FIFA 2025, promete ser um fator determinante para a pontualidade — ou a falta dela — no próximo ano, já que 78 dos 104 jogos serão disputados em território americano e, portanto, sujeitos à regra.

A “Regra das 8 Milhas”

O protocolo padrão adotado em ligas como a MLS e a NFL é implacável: se um raio for detectado em um raio de 8 milhas (aproximadamente 13 quilômetros) do estádio, a partida é imediatamente suspensa. Jogadores, comissões técnicas e torcedores devem abandonar o campo e as arquibancadas abertas para buscar abrigo em áreas cobertas. E se prepare: isso certamente vai acontecer durante jogos da Copa.

Entenda como o rígido protocolo em eventos dentro dos EUA vai impactar a Copa do Mundo

A angústia do cronômetro que não para (e o pior, reinicia)

O que torna a espera angustiante para fãs e emissoras de TV é a “janela de 30 minutos”. Após cada raio detectado dentro do perímetro de segurança, um cronômetro de meia hora é iniciado. Se um novo raio cair aos 29 minutos de espera, o relógio volta para o zero. No Mundial de Clubes de 2025, disputado no mesmo período no ano passado até como teste dos estádios americanos, partidas como Chelsea x Benfica e Ulsan x Mamelodi Sundowns sofreram atrasos que superaram 3 horas, transformando jogos da tarde em eventos noturnos.

O caos do Mundial de Clubes 2025

O evento teste da FIFA deixou claro que o clima americano não perdoa o calendário du futebol no resto do mundo. No verão dos EUA, tempestades de fim de tarde são comuns e extremamente violentas. No Mundial de Clubes de 2025, cinco jogos foram afetados por tempestades elétricas só na primeira semana. O impacto foi além do campo: jogadores reclamaram da quebra de ritmo e torcedores enfrentaram dificuldades com transportes e logística de saída dos estádios sob alerta de furacão ou tornados em algumas regiões. E não há motivos para achar que será diferente agora, pois os jogos serão disputados na mesma época.

Jogo entre Chelsea e Benfica em Charlotte foi interrompido horas, começou de dia e só terminou à noite no Mundial de Clubes de 2025. Crédito: Buda Mendes/Getty Images

O fator determinante para a Copa 2026

Para a Copa do Mundo, o risco é amplificado pela escala do evento. Com 104 jogos, qualquer atraso em uma partida pode gerar um efeito dominó nas transmissões globais e no descanso das seleções. Lembrando que 78 dos 104 jogos serão disputados em território americano e, portanto, estão sob efeito do protocolo das 8 Milhas. Estados como Flórida (Miami) e Texas (Dallas e Houston), conhecidos como “capitais dos raios”, serão monitorados em tempo real pelo Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA. A FIFA já confirmou que não pode ignorar esses protocolos locais, priorizando a segurança física sobre o cronograma comercial. Os demais 26 jogos disputados no México e no Canadá provavelmente terão condições ais flexíveis em caso de tempestades.

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Copa do Mundo 2026

Expectativa x realidade: veja quem brilhou no (quase esquecido) Mundial Sub-17 no Brasil em 2019 e vai à Copa em 2026

Do Vestibular em 2019 para a Formatura em 2026. Pouca gente lembra, mas o Brasil sediou às pressas a Copa do Mundo Sub-17 em 2019, e apesar de pouco badalada, ela revelou muitas das estrelas que vão brilhar na Copa do Mundo 2026.

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Jogadores da Seleção Brasileira Sub-17 comemoram a conquista da Copa do Mundo da categoria em 2019, em torneio disputado no Brasil.

A Copa do Mundo Sub-17 da FIFA, disputada às pressas no Brasil em 2019, serviu como o grande vestibular para uma geração de jogadores que, sete anos depois, está pronta para comandar suas seleções na Copa do Mundo de 2026, em gramados dos Estados Unidos, México e Canadá.

Passados sete anos daquela final emocionante no acanhado Estádio Bezerrão, no Gama (DF), quando o Brasil foi campeão batendo o México de virada, muitos dos atletas que atuaram em solo brasileiro naquele ano estiveram em amistosos recentes das suas seleções na última Data FIFA, e provavelmente estarão presentes nas listas oficiais do Mundial deste ano.

O cruzamento de dados mostra que aquela Copa do Mundo Sub-17 em 2019 foi um divisor de águas técnico. Enquanto as potências europeias como Espanha e França (favoritas em 2026, e que se enfrentaram nas quartas de final em 2019, com a França goleando por 6×1 em Goiânia) utilizaram o torneio como filtro de qualidade, nações como Haiti, Austrália e Coreia do Sul usaram como projeto de nação esportiva, e colhem os frutos agora.

Já o Brasil, um campeão acidental que nem deveria ter disputado o torneio (veja mais abaixo), viu praticamente toda uma geração promissora ficar pelo caminho, o que de certa forma diz muito sobre o atual estágio do futebol brasileiro, mas também prova que o talento precoce precisa de ambiente e gestão de carreira para sobreviver a longos sete anos de transição até o topo do mundo.

As estrelas que confirmaram o protagonismo

Alguns nomes já davam sinais de que o Sub-17 era “pequeno” para o futebol que apresentavam. O espanhol Pedri é o exemplo máximo dessa transição meteórica, saindo do gramado da Serrinha em Goiânia direto para o protagonismo no Barcelona e na Fúria.

Pedri é destaque da Espanha

A elite africana e sul-americana

A seleção de Senegal também colheu frutos valiosos daquela edição com a consolidação de Pape Matar Sarr, hoje volante de elite na Premier League. Já o Equador transformou a liderança do zagueiro Piero Hincapié em realidade, tornando-o um dos defensores mais valorizados do futebol europeu em 2026, hoje atuando como lateral-esquerdo. A Argentina, por sua vez, vê em Matias Soulé o herdeiro técnico de uma geração que começou a ganhar corpo nos gramados brasileiros.

O curioso caso do artilheiro holandês

Mas entre os personagens daquele Mundial, chama a atenção a trajetória do artilheiro holandês Sontje Hansen. Chuteira de Ouro do torneio com 6 gols e um dos destaques da campanha de semifinal da Holanda, ele chegou a ser sondado pelo Manchester City de Guardiola, mas seguiu no Ajax, onde não conseguiu se firmar no elenco profissional. Passou pelo NEC Nijmegen, também da Holanda, antes de chegar ao Middlesbrough, que disputa a Champioship inglesa. Quando parecia que ver a Copa de 2026 pela TV era uma certeza, veio a ligação de outro holandês, o técnico Dick Advocaat, para que Sontje Hansen atuasse pela seleção de Curaçao, país de origem de seus pais. Estreou em outubro de 2025, e apenas cinco dias depois sua naturalização foi aprovada pela FIFA. De praticamente descartado, o artilheiro de 2019 passou a ser nome praticamente garantido na Copa de 2026.

O lado amargo: os que ficaram pelo caminho

Como sempre, nem todo brilho de 2019 se traduziu em sucesso profissional de alto nível para este ciclo de 2026. Gabriel Veron, por exemplo, eleito o melhor jogador daquela Copa, conviveu com lesões e oscilações, ficando a anos-luz de distância dos planos da Seleção Brasileira principal. Outros nomes, como o artilheiro Lázaro e o capitão brasileiro Henri, não atingiram o teto esperado e hoje vão assistir ao Mundial pela TV, enquanto buscam retomar o espaço em clubes de menor expressão.

Meia Gabriel Veron foi o melhor jogador do Mundial Sub-17. Foto: Alexandre Loureiro/ CBF

📉 Promessas que “Estagnaram” ou não vingaram

Como em todo torneio de base, alguns nomes que pareciam destinados ao topo acabaram enfrentando dificuldades na transição para o profissional:

JOGADORSTATUS EM 2019COMO ESTÁ EM 2026?
João PeglowCamisa 10 e titular do BrasilApós rodar por Porto B, Sport e Polônia, rescindiu com o Inter e está no DC United da MLS
Gabriel VeronMelhor jogador do mundo Sub-17. Maior joia da base do Palmeiras na épocaFoi vendido ao Porto, mas sofreu com lesões e questões disciplinares. Passou sem sucesso por Cruzeiro, Santos e Juventude, e está no Nacional da Madeira, em Portugal.
Sontje HansenArtilheiro do Mundial com a semifinalista HolandaNão conseguiu se firmar no time principal do Ajax. Atualmente joga no Middlesbrough, mas deve ir à Copa com a seleção de Curaçao.
Daniel CabralVolante titular do Brasil (Flamengo).Sofreu com lesões graves no joelho. Em 2024, transferiu-se para o Estrela Amadora, de Portugal.
Matías PalaciosA grande joia da Argentina naquele Mundial.Vendido cedo ao Basel (Suíça), não explodiu. Atualmente joga no Al-Ain, nos Emirados Árabes.
HenriCapitão do Brasil e zagueiro promissor.Não teve chances no profissional do Palmeiras. Atualmente joga no North Texas SC (time B do FC Dallas, nos EUA).
LázaroHerói do título brasileiro em 2019Não se firmou no Flamengo, foi vendido ao espanhol Almeria e chegou a ser emprestado ao Palmeiras, onde também pouco jogou. Atualmente está no Al-Najma da Arábia Saudita.

O fenômeno do Haiti e a base de 2019

A seleção do Haiti é o caso mais emblemático de planejamento e continuidade entre as seleções periféricas. Se despediu daquele Mundial com três derrotas e a lanterna do grupo em Goiânia, mas atletas como Dany Jean e Carl Fred Sainté, que sentiram o peso de um Mundial pela primeira vez em 2019, costumam ser chamados para a seleção e têm grandes chances de estar na equipe na Copa 2026. O amadurecimento desses jogadores foi um dos pilares necessários para que a nação caribenha alcançasse a classificação histórica para o torneio atual, encerrando um jejum de 52 anos.

Você lembra da Copa do Mundo Sub-17 no Brasil?

Se não lembra, a gente te entende. Mas vamos ajudar a refrescar a memória:

A Copa do Mundo FIFA Sub-17 de 2019 foi a 18ª edição da competição e foi disputada no Brasil entre os dias 26 de outubro a 17 de novembro.

O evento deveria ter ocorrido no Peru entre 5 e 27 de outubro. No entanto, em fevereiro de 2019 a Federação Peruana anunciou a desistência por não conseguir cumprir com todos os requisitos exigidos pela FIFA. Sendo assim, o Conselho da FIFA anunciou em 15 de março o Brasil como substituto, marcando a primeira vez que o país recebeu uma edição da categoria.

Curiosidade: o Brasil só participou daquele Mundial porque virou o país-sede. A seleção havia sido eliminada precocemente no Sul-Americano Sub-17 meses antes com uma campanha pífia, mas com a mudança da sede às pressas, a vaga caiu no colo da equipe, que mudou de treinador (Guilherme Dalla Déa assumiu) e acabou sendo campeã invicta, vencendo todos os 7 jogos.

A Inglaterra era a atual campeã da categoria, mas não se classificou para defender o título. Na fase decisiva, o Brasil derrotou a Itália nas quartas por 2×0, a França por 3×2 na semifinal e o México na final de virada por 2×1 ((gols de Kaio Jorge e Lázaro) e conquistou o título pela quarta vez, o primeiro desde 2003.

🏟️ Sedes e Organização

Diferente da Copa de 2014, o Mundial Sub-17 focou em estádios menores e mais próximos, facilitando a logística:

Gama (DF): Estádio Bezerrão (onde ocorreu a final e a abertura).

Goiânia (GO): Estádio Olímpico e Estádio da Serrinha.

Cariacica (ES): Estádio Kléber Andrade.

⭐ Os Destaques e Premiações Individuais

Bola de Ouro (Melhor Jogador): Gabriel Veron (Brasil). Na época, era a maior joia do Palmeiras.

Chuteira de Ouro (Artilheiro): Sontje Hansen (Holanda), com 6 gols.

Luva de Ouro (Melhor Goleiro): Matheus Donelli (Brasil), do Corinthians.

🚀 Promessas que se Confirmaram no Profissional

Muitos nomes que hoje brilham na Europa e em seleções principais estavam naquele torneio:

🇪🇸 Pedri (Espanha): Talvez o maior sucesso comercial e técnico. Saiu do Las Palmas para o Barcelona e se tornou um dos pilares da Seleção Espanhola principal.

🇸🇳 Pape Matar Sarr (Senegal): Hoje é peça fundamental no meio-campo do Tottenham, da Inglaterra, e da seleção atual campeã africana de nações.

🇺🇸 Giovanni Reyna (EUA): Consolidou-se no Borussia Dortmund e atualmente está no Borussia Mönchengladbach. É uma das estrelas da geração norte-americana que chega cheia de expectativas para o Mundial em casa.

🇪🇨 Piero Hincapié (Equador): Na época era zagueiro titular absoluto. Em 2019 já demonstrava liderança, confirmada depois no Bayer Leverkusen e atualmente no Arsenal como lateral-esquerdo. Nome certo na Copa.

🇧🇷 Kaio Jorge (Brasil): Fez gol na final e logo depois teve uma venda milionária do Santos para a Juventus. Após uma lesão grave, buscou retomar o espaço no Cruzeiro (em 2024), onde voltou a ter boas atuações e chegou à Seleção, mas tem poucas chances de estar no grupo da Copa.

2019 x 2026: Veja como foi a transição de algumas seleções daquele Mundial

🇧🇷 Brasil: Não foi o que parecia…

O Brasil de 2019 foi campeão invicto, mas a transição para a seleção principal foi na direção contrária ao sucesso daquele grupo:

Yan Couto (Lateral-Direito): Um dos destaques daquela campanha, foi vendido pelo Coritiba ao Manchester City, foi emprestado ao Girona (do mesmo grupo) e atualmente está consolidado no Borussia Dortmund. Como naquela época, segue como um provável herdeiro da problemática lateral-direita na Seleção Brasileira principal. Mas perdeu espaço no grupo atual de Ancelotti e dificilmente estará na Copa.

Lázaro (Atacante): O herói do título de 2019 (era reserva, mas entrou para marcar o gol da vitória de virada contra a França na semifinal e o gol do título na final contra o México) teve uma transição bem inconsistente. Não se firmou no Flamengo, foi vendido ao espanhol Almeria e chegou a ser emprestado ao Palmeiras, onde também pouco jogou. Atualmente está no Al-Najma da Arábia Saudita.

João Peglow (Meia): Era o Camisa 10 e titular do Brasil, além de grande nome da base do Internacional. Mas não conseguiu transformar isso em carreira sólida. Após rodar por Porto B, Sport e clubes da Polônia, rescindiu com o Inter e busca retomar a carreira no DC United, da MLS.

Gabriel Veron (Meia): Melhor jogador do mundo Sub-17 naquele ano. Foi vendido pelo Palmeiras ao Porto como grande promessa, mas sofreu com lesões e questões disciplinares. Retornou ao Brasil tentando retomar a carreira, primeiro para o Cruzeiro, depois para Santos e Juventude, mas também sem sucesso. Atualmente está emprestado pelo Porto ao Nacional da Madeira.

Matheus Donelli (Goleiro): Titular absoluto daquela geração e luva de ouro da Copa do Mundo, era tratado como o sucessor natural de Cássio no Corinthians. Mas na prática nunca passou nem perto disso. Está emprestado pelo Timão ao Shabab Al Ahli, dos Emirados Árabes Unidos.

Henri (Zagueiro): Capitão do Brasil e zagueiro promissor. Não teve sequência no profissional do Palmeiras. Atualmente, joga no North Texas SC (time B do FC Dallas, nos EUA).

João Pedro (Atacante): Era do mesmo grupo (jogou o Sul-Americano), mas não estava no elenco campeão porque não foi liberado pelo Watford, clube dele na época. Consolidado na Premier League, é titular do Chelsea e nome praticamente certo nos 26 da Seleção para a Copa.

🇪🇸 Espanha: a consistência rendeu frutos

A Espanha de 2019 parou nas quartas tomando um 6×1 da França em Goiânia, mas foi uma das seleções mais talentosas e a que forneceu mais nomes consistentes para 2026:

Pedri (Meio-campista): A grande estrela. Saiu do Sub-17 em 2019 direto para o estrelato mundial. É o dono de uma das vagas no meio-campo da Espanha em 2026.

Alejandro Balde (Lateral-Esquerdo): Reserva em 2019, hoje é titular do Barcelona e nome certo da lateral espanhola para a Copa.

Robert Navarro (Meia/Ponta): Conseguiu se firmar em La Liga com a camisa do Athletic Bilbao e é uma das opções de velocidade no elenco de Luis de la Fuente.

🇫🇷 França: a fábrica de talentos

A França ficou em 3º lugar em 2019 e, como esperado, vários jogadores “graduaram” para o time principal de Didier Deschamps:

Tanguy Nianzou (Zagueiro): O zagueiro que era capitão e xerife em 2019 consolidou sua carreira na Europa no Sevilla e é uma das opções defensivas para este Mundial.

Arnaud Kalimuendo (Atacante): O artilheiro daquela geração francesa hoje disputa vaga no ataque com os veteranos, mas dificilmente irá à Copa. Está no Eintracht Frankfurt, emprestado pelo Nottingham Forest.

Rayan Cherki (Meia): Já era uma promessa daquela geração, mas não foi ao Mundial porque já atuava no time profissional do Lyon. Hoje brilha no Manchester City (sob comando de Guardiola) e é um dos criadores de jogadas da França para 2026.

🇦🇷 Argentina: A “Escada” para o Sucesso

Diferente de outras gerações, a de 2019 foi muito focada em formar jogadores de grupo para Scaloni:

Matias Soulé (Atacante): Embora não tenha sido o protagonista absoluto em 2019, sua evolução na Juventus e atualmente na Roma o colocou como o “sucessor natural” em algumas funções ofensivas da Argentina em 2026. Deve ir à Copa como reserva.

Exequiel Zeballos (Meia-atacante): O “Changuito” sofreu com lesões, mas sua habilidade demonstrada no Brasil em 2019 garantiu sua vaga como arma de segundo tempo na seleção principal. É destaque do Boca Juniors e esteve em convocações recentes de Scaloni.

🌍 Outras Seleções de Destaque

O Mundial de 2019 espalhou talentos que hoje são os “donos” de suas seleções nacionais:

🇺🇸 Estados Unidos: Feitos para brilhar em casa

Giovanni Reyna (Meia-atacante): Um dos grandes nomes da geração dos Estados Unidos que foi moldada para chegar pronta a 2026. Jogou o Mundial no Brasil e agora é a esperança dos americanos jogando em casa. Revelado pelo Borussia Dortmund, atualmente joga no outro Borussia, o Mönchengladbach.

Joe Scally (Lateral-direito): Lateral que também estava em 2019 e é peça carimbada na defesa americana. Joga junto com Reyna no alemão Borussia Mönchengladbach.

🇦🇺 Austrália: Renovação com Base no Brasil

Os Socceroos fizeram uma campanha digna em 2019 (oitavas de final) e três nomes daquele grupo são hoje peças de Premier League ou Championship que estarão na Copa 2026:

Ryan Teague (Meia): O capitão de 2019. Após rodar pela Europa, tornou-se o herdeiro de Aaron Mooy no controle do jogo da Austrália. Está no Melbourne City.

Jordan Bos (Lateral-esquerdo): Não era o nome mais badalado em 2019, mas teve uma explosão física absurda. Costuma ser titular na lateral-esquerda da Austrália e tem sido destaque do Feyenoord, da Eredivisie holandesa.

Nestory Irankunda (Ponta): Ele é a estrela da atual geração australiana, mas em 2019 ainda era jovem demais para estar no grupo daquele Mundial. No entanto, mesmo com 14 anos na época conviveu com a transição dessa geração. Está atualmente no Watford, da Champioship inglesa, e já desperta interesse nos gigantes do país.

🇰🇷 Coreia do Sul: Disciplina e Continuidade

A Coreia chegou às quartas em 2019 e manteve a espinha dorsal técnica:

Lee Tae-seok (Lateral): Filho da lenda Lee Eul-yong (2002), manteve o legado da família e está confirmado na lista de 2026 pela sua precisão nos cruzamentos. Joga no Áustria Viena.

Jeong Sang-bin (Atacante): O “Korean Mbappé” de 2019. Após passagem pela Europa, fixou-se no St. Louis City da MLS e é uma das armas de contra-ataque da Coreia para 2026.

Eom Ji-sung (Meia): Outro remanescente das quartas de final que chegou a vestir a camisa 10 da seleção principal em amistosos recentes. É titular e um dos destaques da Champioship (Segunda Divisão Inglesa) com o Swansea City de País de Gales.

🇲🇽 México: O Vice que “envelheceu” bem

O México perdeu a final para o Brasil, mas “ganhou” jogadores prontos para 2026:

Efraín Álvarez (Meia): A joia do LA Galaxy em 2019. Demorou a engrenar, mas em 2026 é o reserva de luxo e criador de jogadas da Tri. Está no Tijuana, que joga a primeira divisão mexicana.

Víctor Guzmán (Zagueiro): O xerife da defesa em 2019. Hoje é o titular da zaga central mexicana, sendo um dos poucos daquela final que se tornou “indiscutível”. É a liderança moral do mexicano Pachuca.

🇭🇹 O “Milagre Haitiano” de 2019 para 2026

A seleção do Haiti que veremos em 2026, inclusive enfrentando o Brasil, tem nomes que choraram a eliminação logo na primeira fase no Estádio da Serrinha, em Goiânia, com três derrotas. Mal sabiam que as lágrimas daquele dia iriam regar uma geração que fez história no país:

Dany Jean (Atacante): O grande destaque de 2019. Na época jogava no Aigle Noir (Haiti), foi para o Strasbourg (França) e hoje é uma referência técnica da seleção principal e do Torreense, da segunda divisão portuguesa.

Dany Jean é um dos destaques do Haiti

Carl Fred Sainté (Meio-campista): Era o motor do time em 2019. Conseguiu se profissionalizar no futebol dos EUA (joga no El Paso Locomotive, clube da USL Championship) e tem sido titular na contenção do Haiti para 2026.

Kervens Jolicoeur (Atacante): Outro remanescente que ganhou físico e experiência internacional, sendo peça chave no esquema de velocidade da equipe. Atua no ASC San Diego, das divisões inferiores dos EUA.

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