Futebol Internacional

Do banimento à glória: Crystal Palace escreve história na Conference League e vira o jogo contra Textor e a UEFA

Rebaixados da Europa League por causa de uma polêmica envolvendo John Textor, os Eagles transformaram a humilhação em troféu.

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Foto: Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images

A PARTIDA

Em Leipzig, na Alemanha, o Crystal Palace fez o que muita gente duvidava: levantou a taça da Conference League depois de uma noite difícil, mas justa, diante do Rayo Vallecano. O único gol saiu aos 5 minutos do segundo tempo, quando Adam Wharton avançou, chutou de longe e obrigou o goleiro Batalla a soltar nos pés de Jean-Philippe Mateta. O francês não perdoou. Tapinha certeiro, história feita.

A POLÊMICA QUE ANTECEDEU TUDO

Para entender o tamanho dessa conquista, é preciso voltar ao verão de 2025 e a uma novela que envolveu burocracia europeia, um empresário americano e uma arbitragem internacional. O Crystal Palace havia chegado à Europa League como campeão da FA Cup, após vencer o Manchester City na final com gol de Eberechi Eze. Uma façanha histórica para o clube do sul de Londres, que jamais havia vencido um título maior. Só que John Textor, então acionista majoritário, também controlava o Lyon, que havia garantido sua própria vaga na mesma competição.

O regulamento da UEFA proibia que uma mesma pessoa tivesse influência decisiva sobre dois clubes disputando a mesma competição, e o prazo para regularização era 1º de março de 2025. Naquela data, com a FA Cup ainda nas oitavas de final, ninguém apostava que o Palace seria campeão.

Em 11 de julho de 2025, a UEFA decidiu: o Palace estava fora da Europa League e rebaixado para a Conference League. Os dirigentes do clube viajaram à Suíça, John Textor e Steve Parish pessoalmente foram argumentar que o americano não exercia “influência decisiva” nas decisões esportivas. Não adiantou. Textor vendeu sua fatia de 43% no clube para Woody Johnson, dono do New York Jets, mas já era tarde demais. O que importava era o retrato tirado em 1º de março, e naquele retrato o Palace estava em infração.

O CAS (Tribunal Arbitral do Esporte) chancelou a decisão da UEFA, e o Palace foi obrigado a aceitar o rebaixamento para a terceira divisão continental. A frustração foi enorme, afinal, o clube havia conquistado o direito de jogar a Europa League em campo, não em uma sala de escritório. A sensação de injustiça ficou rondando Selhurst Park durante meses.

A VINGANÇA COM SABOR DE TAÇA

Mas o futebol é assim. Às vezes a porta que fecha esconde uma janela maior do outro lado. O Palace entrou na Conference League como um clube que tinha algo a provar, e foi exatamente essa fome que norteou a campanha. A eliminação do Shakhtar Donetsk por 5 a 2 no agregado nas semifinais mostrou a potência do time quando operava em alta intensidade. Nenhuma equipe os eliminou no caminho até Leipzig.

Oliver Glasner, que havia anunciado em janeiro que deixaria o clube ao fim da temporada, se despediu com chave de ouro. O austríaco acumulou três títulos em dois anos e meio no cargo: a FA Cup de 2025, a Community Shield sobre o Liverpool e agora a Conference League. Ele transforma “o clube que nunca ganhou nada” em “o clube que ganhou três títulos em dois anos”. 

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