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O dedo do meio, o chute no banco e a recusa em sair: quando o técnico enlouquece com o próprio jogador

O caso de Abel Ferreira com Flaco Lopéz é mais um a integrar a lista de treinadores que perderam a cabeça com seus próprios atletas.

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Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Abel e o dedo mais famoso da Libertadores

A cena aconteceu em Lima, na vitória do Palmeiras por 2 a 0 sobre o Sporting Cristal. No momento em que Flaco López abria o placar e fazia sinal de positivo para a comissão técnica, Abel Ferreira retribuiu com o dedo errado, o do meio. A Conmebol não perdoou: abriu processo disciplinar e o Palmeiras tem até 13 de maio para apresentar defesa. A multa pode chegar a US$ 25 mil.

Depois da partida, Abel explicou com a sinceridade que é sua marca: Flaco é o jogador que mais “leva na cabeça” dele, recebe vídeos no WhatsApp e instruções de manhã, tarde e noite. O gesto, segundo o português, foi um ato de afeto. Algo entre pai e filho. Dentro do clube, o episódio foi tratado como brincadeira. Do lado de fora, as crianças que assistiam ao jogo com os pais provavelmente ficaram com dúvidas que nenhuma brincadeira explica.

Dois portugueses, dois dedos. Coincidência?

Em maio de 2025, Renato Paiva foi flagrado pelas câmeras erguendo o dedo do meio durante a comemoração do gol de Artur, que deu ao Botafogo a vitória por 3 a 2 sobre o Estudiantes na Libertadores. A internet especulou: seria para a torcida? Para o banco adversário? Para o árbitro? Paiva foi ao microfone e revelou que a culpa era de um auxiliar insistente que queria tirar Artur de campo por desgaste físico. Quando o atacante marcou, o técnico mandou o recado ao colega: “eu disse”.

Foto: Reprodução TV Globo

Paiva saiu ileso. Apresentou um currículo de fair play (uma expulsão em 23 anos, no sub-17 do Benfica) e encerrou o assunto com uma frase que ficou: “Só se eu fosse muito estúpido.” Abel Ferreira repetiu o gesto um ano depois, em Lima, mas dessa vez com câmeras em alta definição, processo aberto e WhatsApp como prova do contexto. O detalhe, no futebol, é sempre a audiência.

Diniz, Luciano e o fim de uma amizade

Em maio de 2024, numa partida entre São Paulo e Fluminense pelo Brasileirão, Fernando Diniz perdeu a paciência com Luciano à beira do campo. O atacante havia feito uma cobrança de lateral rápida enquanto um jogador do Flu estava caído se recuperando. Diniz foi em direção a Luciano e começou a xingá-lo. O atacante pediu para ele parar. Diniz encerrou a conversa dizendo que a amizade entre os dois tinha acabado.

Foto: Guilherme Veiga/Gazeta Press

Luciano, que havia trabalhado sob o comando de Diniz no São Paulo, respondeu na mesma intensidade: “Se ele pensa assim, então para mim também acabou. Eu jamais xingaria ele à beira do campo. Ele precisa entender que não é mais meu treinador.” O futebol tem essa crueldade bonita. Junta pessoas por meses, cria laços, conquistas, memórias, e desfaz tudo em trinta segundos de raiva numa linha de fundo.

A briga, o SMS e o fim de uma era no Chelsea

Antonio Conte cobrava Diego Costa sem parar durante o jogo contra o Leicester em 2017, com o Chelsea já vencendo por 3 a 0. Costa pediu para ser substituído. Conte ignorou e pressionou mais. A discussão foi do gramado para o vestiário, onde os dois precisaram ser separados em clima de “extrema tensão”. Poucos meses depois, Conte comunicou por mensagem de texto que o atacante estava fora dos planos. Uma rescisão por SMS que entrou para a história do futebol como um dos momentos mais frios da relação técnico-jogador.

Foto: Getty Images

Diego Costa, anos depois, resumiu o ambiente num podcast: “Ele não confia em ninguém, acha que sabe tudo, você não aproveita os treinos.” O Chelsea ganhou o título inglês naquela temporada. Raiva e resultado podem andar juntos. Mas o preço foi alto: o jornalista Gianluca Di Marzio apurou que a forma como Conte dispensou Costa foi justamente o motivo pelo qual o clube o demitiu sem pagar a multa rescisória de 10 milhões de euros. Um dedo do meio teria sido mais barato.

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