Brasileirão

Clássico das Multidões: quando o futebol mobiliza o Brasil

Mais que um clássico interestadual: Corinthians x Vasco é história, identidade e décadas de decisões que pararam o Brasil.

Publicado

em

Foto: Werther Santana/Estadão /Estadão


A vitória do Corinthians por 1 a 0 em Itaquera, no último domingo (26), pelo Brasileirão, foi apenas o último capítulo de uma rivalidade antiga, que acumula confrontos decisivos e finais épicas.

Dois gigantes nascidos do povo

O Corinthians foi fundado em 1910 por operários do bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Homens simples que não tinham dinheiro para jogar bola mas tinham alma de sobra. O Vasco da Gama nasceu em 1898 no Rio de Janeiro, fruto da imigração portuguesa, e escreveu um capítulo histórico em 1924 ao escalar jogadores negros e mulatos numa época em que o racismo era regra, não exceção. Dois clubes populares, dois berços humildes, uma rivalidade que foi inevitável.

O apelido que explica tudo

Nenhum dos dois clubes precisou de marketing para justificar o nome “Clássico das Multidões”, as arquibancadas já davam o recado. Juntas, Corinthians e Vasco somam mais de 50 milhões de torcedores espalhados pelo Brasil. Quando esse confronto acontece, o país inteiro escolhe um lado. 

O inimigo do meu inimigo é meu amigo

Há uma camada extra nessa rivalidade que vai além das quatro linhas: o Vasco e o Palmeiras, maior rival do Corinthians, mantêm uma relação de afinidade histórica entre suas torcidas organizadas. As organizadas dos dois clubes têm relação de proximidade reconhecida, e torcedores vascaínos chegam a comercializar produtos do clube nas proximidades do Allianz Parque. No mapa das alianças entre torcidas organizadas, Palmeiras e Vasco integram o mesmo bloco, a União Dedo Pro Alto, enquanto rivais como São Paulo e Flamengo compõem o bloco oposto. Então quando Corinthians e Vasco se encaram, não é só futebol: é uma guerra de alianças, identidades e provocações que começa muito antes do apito inicial.

Foto: Força Jovem (Twitter)

Confrontos históricos

O capítulo mais épico dessa rivalidade foi escrito em 14 de janeiro de 2000, no palco sagrado do Maracanã. A final do primeiro Mundial de Clubes da FIFA terminou em 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, e o Corinthians sagrou-se campeão ao vencer nos pênaltis por 4 a 3. Do lado vascaíno, Edmundo chutou para fora na cobrança decisiva, e o mundo do futebol tinha um novo dono: o Todo Poderoso Timão. Ganhar o primeiro título mundial da história da FIFA no templo do futebol não foi nada além de épico.

Jogadores do Corinthians comemoram conquista do Mundial de 2000 (Foto: Getty Images)

Doze anos depois, o Vasco quase impediu o Corinthians de conquistar a Libertadores de 2012. Com 0 a 0 no placar nas quartas de final, Diego Souza interceptou um passe errado, arrancou sozinho e teve tudo para decretar a eliminação do Timão. Mas Cássio se esticou e, com a ponta da luva, desviou a bola rente à trave, em um lance de silêncio absoluto no estádio. E, para fechar o roteiro, Paulinho apareceu livre na área aos 42 minutos do segundo tempo, cabeceou e garantiu a classificação corintiana. Sem aquela defesa, talvez a história seria bem diferente.

Cássio defende chute de Diego Souza (Foto: Agência AP)

Vinte e cinco anos após o Mundial, o destino reuniu os dois gigantes em mais uma final, e novamente no Rio de Janeiro. O Corinthians bateu o Vasco por 2 a 1 no Maracanã, em dezembro de 2025, e levantou a taça da Copa do Brasil pela quarta vez na história do clube. Yuri Alberto abriu o placar, Memphis Depay ampliou no segundo tempo, e o Timão segurou a pressão vascaína até o apito final.

Memphis Depay ergue taça de campeão da Copa do Brasil (Foto: Pedro Kirilos/Estadão)

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Sair da versão mobile