A decisão que sacudiu a Estrela Solitária
Na noite desta quinta-feira (23), o Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) determinou o afastamento imediato de John Textor do comando da SAF do Botafogo. A Câmara de Arbitragem foi apontada pela Justiça do Rio de Janeiro para resolver a disputa entre Textor e a Eagle Holding em 25 de março. A decisão é temporária e será reavaliada na próxima quarta-feira (29), após pronunciamento das duas partes.
Irregularidades e abuso de poder na gestão
O Tribunal concluiu que as medidas adotadas pela gestão Textor tinham potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e aos torcedores do Botafogo. Um dos pontos centrais foi a assinatura, em 26 de janeiro de 2026, de um contrato de compra e venda envolvendo a estrutura societária do clube — com Textor atuando simultaneamente como comprador, vendedor e representante da própria SAF. O pedido de recuperação judicial também foi apontado como irregular, pois foi protocolado sem deliberação em assembleia de acionistas, violando as regras de governança da empresa.
A crise financeira em números
A situação financeira do Botafogo preocupa: a dívida total é estimada em cerca de R$ 2,7 bilhões, e o pedido de recuperação judicial foi protocolado junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na última quarta-feira (22). Desse total, cerca de R$ 1,4 bilhão corresponde a compromissos já vencidos ou com vencimento até 2026. O clube ainda enfrenta transfer ban ativo na Fifa por uma dívida de 8 milhões de euros com o Ludogorets, da Bulgária, além de atrasos no pagamento de direitos de imagem dos jogadores.
O que acontece agora?
A 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro concedeu liminar que determina a suspensão da execução de dívidas por 60 dias, permitindo que o clube construa uma solução estruturada com os credores. A Assembleia Geral Extraordinária convocada pela gestão Textor para a próxima segunda-feira (27) também foi cancelada pelo Tribunal Arbitral. O histórico de Textor em outros clubes acende um alerta: no Lyon, a situação só foi revertida com o afastamento do empresário da direção do clube, em junho de 2025 — um roteiro que pode se repetir no Botafogo também.