Em 2023, o Fortaleza registrou o maior superávit da sua história: R$ 108 milhões no azul. Em 2026, três anos depois, conselheiros e conselheiras do clube aprovaram o maior déficit da sua história: R$ 74 milhões no vermelho. No meio desse abismo financeiro, existe uma Série B, um CEO que admitiu publicamente “acabou o dinheiro” e uma torcida tentando entender como tudo foi tão rápido.
O auge: a melhor era da história
Entre 2021 e 2024, o Fortaleza viveu o melhor ciclo de sua história. O clube conquistou títulos, brigou pela liderança no Brasileirão em diversas oportunidades, fez campanhas históricas na Libertadores e Sul-Americana e construiu um modelo de gestão que era referência no futebol brasileiro.
O superávit de R$108 milhões em 2023 não foi sorte, foi resultado de uma combinação de vendas estratégicas de atletas, receitas da CONMEBOL e contenção de custos. O Fortaleza era apresentado em congressos e fóruns como exemplo de clube financeiramente saudável no Brasil.
Elenco do Fortaleza comemorando gol em 2023. Foto: Kid Júnior/SVM
A queda: apostas altas, resultado zero
Para tentar dar um salto de qualidade e brigar por títulos maiores, a diretoria apostou alto na montagem do elenco de 2024 e 2025. O orçamento aprovado para 2025 chegou a R$ 387 milhões, o maior da história do clube.
O problema: o investimento não se traduziu em resultado dentro de campo. O Fortaleza passou a maior parte do Brasileirão 2025 na zona de rebaixamento. Com o elenco caro, desempenho ruim e receitas menores que o previsto, as despesas superaram as receitas em R$74 milhões.
Elenco do Fortaleza triste após derrota pro Botafogo. Foto: Thiego Mattos/Pera Photo Press/Gazeta Press
O rebaixamento e o efeito dominó
A queda para a Série B no fim de 2025 não foi apenas esportiva, foi o gatilho que acelerou a crise financeira. O clube perdeu contratos de TV mais robustos, patrocinadores reduziram investimentos e o valor de mercado do elenco despencou.
O impacto estimado do rebaixamento, entre perda de receitas de TV, patrocínio, bilheteria e sócios é de R$ 162 milhões. O orçamento para 2026 foi aprovado entre 225 milhões para 2026, uma redução de 42% em relação ao ano anterior.
Gustavo Mancha, do Fortaleza, cabisbaixo após derrota na Libertadores. Foto: Juan Mabramota/AFP
“Acabou o dinheiro”
Em abril de 2026, o CEO da SAF do Fortaleza, Pedro Martins, não usou meias palavras em pronunciamento público:
“Não é mentira que o clube passa por uma dificuldade imensa, não só por causa do rebaixamento da Série A para a Série B, mas também por compromissos antigos. Desde que eu cheguei aqui, venho lidando com dívidas passadas.”
A dívida com instituições financeiras encerrou dezembro de 2025 em R$ 66 milhões, e o orçamento de 2026 depende de pelo menos R$ 65 a R$ 74 milhões em vendas de jogadores para fechar no azul. Ou seja: o clube precisa vender para sobreviver, enquanto ainda disputa a Série B.