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Do cigarro do Urso ao porco de Viola: algumas comemorações que o futebol brasileiro não esquece

A comemoração do atacante John Kennedy na vitória do Fluminense sobre o Santos marcou o último capítulo de uma tradição bem característica do futebol brasileiro.

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O Urso fumou, e a internet pegou fogo

O Fluminense venceu o Santos por 3 a 2, na Vila Belmiro, em partida que teve John Kennedy como protagonista absoluto. O atacante entrou no segundo tempo, aqueceu atrás do gol e foi recebido com uma chuva de xingamentos das arquibancadas. “Maconheiro” era o coro mais frequente. Aos 40 minutos, o camisa 9 apareceu na área para completar um cruzamento de Guga e decretar a vitória de virada do Fluminense.

Ao balançar as redes, o jogador simulou o ato de fumar um cigarro, gesto que muitos não entenderam de imediato. Após a partida, John Kennedy passou mal e vomitou no gramado, com a assessoria do clube informando que o quadro foi causado por esforço excessivo.

No futebol brasileiro, não é a primeira vez que uma comemoração rende mais manchetes do que o resultado em si. 

Foto: Mauricio De Souza/AGIF

Luciano chutou a bandeirinha — e o bom senso

Em julho de 2023, foi a vez de Luciano protagonizar uma das comemorações mais comentadas do ano. O atacante do São Paulo chutou a bandeirinha de escanteio após marcar um gol contra o Corinthians no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil, realizado na Neo Química Arena. O árbitro Wilton Pereira Sampaio não achou graça e o puniu com amarelo. Mas a comemoração “pegou”: outros jogadores já imitaram e o próprio Luciano segue fazendo, e nem sempre levando amarelo por isso.

Viola virou porco, mas o Palmeiras deu o troco

Na final do Campeonato Paulista de 1993, no jogo de ida, Viola, atacante e ídolo do Corinthians, comemorou seu gol da vitória imitando um porco, fazendo menção ao apelido dado pelas torcidas rivais ao Verdão. A cena virou símbolo de ousadia, ou arrogância, dependendo da camisa que você veste. O que veio depois, porém, é uma das maiores lições que o futebol ensinou sobre provocar antes da hora.

Em desvantagem por ter perdido por 1 a 0, o técnico Vanderlei Luxemburgo mostrou o vídeo da comemoração de Viola várias vezes aos jogadores do Palmeiras para motivá-los. No jogo de volta, o Verdão goleou o rival por 4 a 0 e venceu o Paulistão de 1993, encerrando um jejum de 16 anos sem títulos. Nunca uma comemoração de gol funcionou tão bem como motivação para o adversário. Detalhe: anos depois, Viola jogou (e bem) com a camisa do Palmeiras.

Foto: Arquivo Agência Estado

O aviãozinho de Zagallo: quando o técnico entrou na dança

Nem só de jogadores vivem as comemorações polêmicas. Em amistoso em Joanesburgo, em abril de 1996, a seleção africana abriu 2 a 0 no primeiro tempo, e o técnico Clive Barker comemorou cada gol fazendo um aviãozinho dentro da lateral do campo. Zagallo assistia, calado, com aquela cara de quem já está calculando o troco. O Brasil virou o jogo no segundo tempo.

Com o gol da virada, Zagallo deu o troco e fez também a dança do aviãozinho, sendo seguido pelos membros da comissão técnica. Um treinador tetracampeão mundial saindo do banco para imitar um avião é, por definição, patrimônio imaterial do futebol. O Velho Lobo soube esperar, aguardou a virada e comemorou efusivamente, voando pelo gramado do estádio em Joanesburgo.

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